Undertale

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Jorge Robert

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Você já imaginou que os monstros que você mata nos jogos também podem também ter alma e sentimentos? A busca cega e insaciável por pontos de EXP e skills altos te incomoda? Você acha que RPG é muito mais do que batalhas por turnos, diálogos com NPC’s, resolução de puzzles e trilhas sonoras orquestradas? Se você respondeu “sim” para qualquer uma das perguntas anteriores, Undertale é o jogo certo para você.

Já vivenciamos experiências intensas com The Legend of Zelda, Advanced Wars, Super Mario RPG, Chrono Trigger, Secret of Mana, Dragon Age, Earthbound e Final Fantasy. Tais títulos inovaram a ponto de pensarmos que já tínhamos visto de tudo nos RPG’s quando, em 2015, um jogo indie “quebra a nossa cara”, satirizando os grandes clichês do gênero, rompendo paradigmas e conquistando muitos corações (inclusive o meu).


Ficha Técnica

Título original: Undertale

Lançamento: 15 de setembro de 2015

Desenvolvedor: Toby Fox

Produção: Toby Fox, Temmie Chang

Gênero: Indie, RPG

Plataforma: PC

Modo de Jogo: Single-player


Informações Gerais

Undertale é um dos melhores e mais bem desenvolvidos jogos que tive o prazer de conhecer. O mais incrível, é levar em conta que tudo foi feito por uma única pessoa: o prodigioso Toby “Radiation” Fox. Produtor, desenvolvedor, roteirista, programador e compositor da trilha sonora do game, Fox já vinha ganhando destaque pelas hack roms de Earthbound, por suas bandas de garagem e trilhas sonoras de outros jogos e webcomics como Homestuck. Em 2013, iniciou seu projeto no Kickstarter e trabalhou na sua produção até a versão final do RPG. Fox ficou popular pela profundidade histórica e reflexiva de Undertale aliada à simplicidade gráfica.


História

“And the legend begin…”

 

“No início, humanos e monstros viviam em paz, até que em um dia, uma guerra é iniciada. Depois de uma longa batalha, os humanos foram vitoriosos. Após serem expulsos da terra firme, os monstros passaram a habitar o subsolo se afastando dos habitantes da superfície” e blá, blá, blá.

Você está nesse mundo subterrâneo e precisa sair de lá a qualquer custo. Ok, já sei que você não viu nada de muito original até aqui, certo? Mas acalme-se, tudo isso é apenas o gatilho para o desenrolar da história. O enredo de Undertale se completa por meio de três linhas narrativas (com desfechos) diferentes. Você precisará de um tempo para entender os detalhes por trás das guerras entre os humanos e monstros, esses últimos, o grande foco narrativo da história. Lembre-se que qualquer história não pode ser bem contada sem a apresentação devida dos seus personagens, por isso recomendo também a leitura também da seção de personagens abaixo.

Caso estiver perdido ou confuso durante o jogo, não desanime. Histórias motivacionais nos pontos de save que te encherão de determinação! E se prepare para deixar cair algumas lágrimas: o apelo emocional é intenso e não passa desapercebido. Os questionamentos sobre a índole dos humanos, que passarão a ser encarados como verdadeiros mon… Sem almas, chamemos assim, pois a inocência de boa parte dos personagens deixam dúvidas quanto à definição de “monstruosidade”. Apesar de sua linearidade, a história não é evidente e as descobertas sobre o que aconteceu no passado ficam a cargo do jogador (caso ele queira entender por completo o enredo). Assim como na montagem de um quebra-cabeça, a história de Undertale fica “mais bonita a cada peça”.

Malditos ninjas cortadores de cebola

 


Personagens

De esquerda para direita: Asgore. Undyne, Toriel, Sans, Papyrus, Metatton e você.

 

Os personagens são o grande diferencial de Undertale. Cada monstro possui uma personalidade cativante a ponto de você não querer matar ninguém para alimentar seu desejo doentio por EXP. Fox conseguiu criar personalidades divergentes para cada personagem, de modo que você o jogador se identifique com pelo menos um deles. Podemos falar do instinto maternal de Toriel (a tutorial), do humor pastelão de Sans (um esqueleto niilista que não tem nem nada de cômico), da má sorte de Papyrus (um fracassado amado por todos), a valentia e a simpatia de Undyne (uma chefe de guarda inspirada na Xena, conhecida como a pior cozinheira do mundo), da timidez de Alphys (uma cientista otaku atrapalhada), do dinamismo e da personalidade excêntrica de Mettaton (um cosplay robótico feminino do Sílvio Santos), da compaixão do Rei Asgore e do instinto psicopata de Flowey (uma flor antagonista satânica que vai te frustrar, amedrontar e te oferecer quebras da 4ª parede absurdamente incríveis… e medonhas).

Tais figuras emblemáticas estão presentes em um jogo em que não é obrigatório matar ninguém. Isso mesmo! Você deve se tornar um projeto de Nelson Mandela, caso queira um final feliz com direito a pôr-do-sol e pós-créditos cativantes. Se você quiser dar uma de psicopata sem limites ao estilo Michael Myers, siga por sua conta e risco, mas já digo que essa rota te levará a ter um dia ruim. Não é à toa que Undertale é tido como atípico, novo, o “diferentão” da turma.


Jogabilidade

Ah, que “flofe”! :3

Os comandos são simples, o que possibilita que praticamente qualquer pessoa jogue o título. O sistema de combate se resume em atacar para matar ou ser um amor de pessoa com ações que poupem seus adversários. Mesmo sendo um amor de pessoa, você precisará fazer um esforço para desviar dos ataques dos adversários. Interativo, genial e ao estilo 8-bits, o combate nunca irá ficar na mesmice.

Ah! E se você é um daqueles espertinhos que gosta de usar os saves para refazer alguma situação e saber o que acontece em um contexto alternativo, saiba que Undertale vai jogar isso em sua cara sem cerimônias. Este é outro ponto muito interessante do jogo, que considera os pontos de save verdadeiros buracos de minhoca criados para modificar o espaço-tempo (e nem mesmo o seu reset vai mudar isso, esqueça).

Não quero mais jogar, cara. Isso é medonho

 


Som

A trilha sonora foi feita cuidadosamente para conseguir se adaptar em cada situação do jogo, com uma mistura de 8-bits, 16-bits, guitarras, percussão, sintetizadores, piano, FX e violões com dedilhados suaves. Essa mistura perfeita traz músicas que grudarão na sua cabeça por um bom tempo (entre minhas favoritas estão Megalovania, Home, Spear of Justice, Death By Glamour, Hopes and Dreams, Spider Dance e Metal Crusher).


Considerações Finais

É muito bom pensar que jogos indie sempre possuem uma concepção diferente do que estamos acostumados a ver em títulos de empresas como a Microsoft, EA Games, Activision (Chega de CoD futurista! POR FAVOR!!!), etc. Acredito que sempre há histórias que queremos contar para outras pessoas no mundo dos games de formas diferentes. Neste contexto, Undertale traz a dúvida: por que ter medo de tentar? Em minhas horas de jogo eu ri muito, me diverti, me apeguei, me surpreendi e também chorei. Por mais títulos como Undertale que nos motivam a seguir a premissa mencionada desde o início pelo jogo: DETERMINAÇÃO.

História: 20 exp. A história é linda e muito bem construída com personagens marcantes. O ponto de vista dos monstros e o questionamento sobre a humanidade deixa tudo com um clima tocante, que consegue atingir em cheio o emocional do jogador e provocar algumas lágrimas.

Gráficos: 10 exp. As paisagens do jogo são bem feitas, mas deixam a desejar e provocam um desejo de “mais cores e detalhes”, sobretudo em batalhas contra certos “bosses”.

Jogabilidade: 20 exp. Apesar de se limitar às setas e somente a 3 botões de ação, o sistema de combate não é usado somente em lutas. Haverá exceções de jogabilidade geniais e interatividade criativa com os elementos gráficos do jogo. O jogador esperará ansioso o próximo confronto.

Replay: 20 exp. Como o jogo possui 3 desfechos diferentes e um gameplay de no máximo 5 horas, certos questionamentos são respondidos em cada caminho que você tomar. Logo, a finalização do título pelo menos três vezes é garantida.

Som: 20 exp. Sobre a trilha sonora? Inquestionável! Cada música se encaixa muito bem com as situações do jogo. Sons 8-bits com os arranjos de percussão e guitarras farão que o jogador tenha uma ou mais músicas favoritas.

 

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