The OA

Juliana Yendo

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A Netflix está apostando suas fichas em produções originais para o seu catálogo e provou o quanto isso está funcionando e pode trazer resultados positivos. Depois do grande sucesso de Stranger Things (confira nossa resenha clicando aqui), foi lançada, em dezembro do ano passado, outra série de ficção científica recheada de elementos sobrenaturais e com uma estranheza ainda maior do que a produção dos irmãos Duffer. Desaparecimento e retorno misterioso de uma pessoa, outras dimensões, sonhos premonitórios, nariz sangrando, pesquisas secretas e obscuras com seres humanos que possuem características específicas: tudo isso soa bastante comum para uma obra sci-fi com muito suspense. Mas, será?


Ficha Técnica

Título original: The OA

Gênero: Sci-fi/Drama/Suspense/Sobrenatural

Lançamento: 16 de dezembro de 2016

Criador: Brit Marling e Zal Batmanglij

País de origem: Estados Unidos

Duração: aprox. 60 min.

Nº de episódios: 8

Nº de temporadas: 1

Plataforma: Netflix


Preview

Com uma abordagem completamente diferente dos formatos de séries que estamos acostumados a ver por aí, The OA é atípica e surpreendente. Fruto de uma parceria proveniente de uma produção independente norte-americana, a série foi criada por Brit Marling e Zal Batmanglij. Apesar de ser uma série compacta, os 8 episódios com 60 minutos de duração tecem a história de forma lenta e gradual. Ela deve ser encarada como um longo filme de oito horas, conforme os próprios criadores já descreveram. É uma série com um formato não convencional, tanto em relação à concepção dos episódios e à fotografia quanto em relação ao desenrolar da história e à construção dos personagens.


Sinopse

O enredo se constrói a partir do retorno de Prairie Johnson (Brit Marling) após 7 anos de desaparecimento. O mais intrigante não é o retorno em si, mas o fato de a protagonista cega voltar para casa enxergando. Quando criança, Praire sofreu um acidente trágico que poderia ter a levado à morte. Essa experiência de quase-morte (EQM) trouxe consequências para sua vida, sendo a maior delas a perda da visão.

The OA
Reencontro de Praire e sua mãe

O fim da cegueira de Praire, as cicatrizes estranhas em suas costas e o seu silêncio em relação ao que aconteceu durante os últimos 7 anos atraem a curiosidade de toda a cidade e uma grande preocupação de seus pais.

Desde o seu retorno, Praire demonstra uma obsessão por certas coisas, como a necessidade de tentar entrar em contato com um homem chamado Homer e a insistência em ser conhecida por “OA”. É essa obsessão que leva a protagonista a revelar sua história e os incidentes ocorridos durante o tempo em que desapareceu para um grupo de 5 pessoas, que se dispõem a ajudar Praire e se tornam suas confidentes. 


Dúvidas, polêmicas e impressões pessoais

Quando você terminar de assistir à série, muitas perguntas e reflexões vão surgir imediatamente em sua cabeça (não necessariamente nessa ordem): “WTF? Mas será mesmo? Acho que sim. Mas não é possível… né? Não, acho que não. Talvez… Não sei!”.

A sensação que temos após o desfecho, é que nós, telespectadores, fazemos parte do grupo de Praire. E isso parece ser intencional, pois o público, assim como os 5 confidentes, compartilham o mesmo estranhamento, curiosidade, questionamento, dúvidas e fascínio (ou repúdio) em relação à história contada pela protagonista. Somos convidados a participar da jornada de OA e fica por nossa conta acreditar nos relatos da protagonista e tentar “olhar além” ou não.

O que teria acontecido com Praire durante esses 7 anos?

A série deixa muitas perguntas e respostas vagas, propositalmente. A experiência com a série pode ser surpreendente ou decepcionante, dependendo do perfil do telespectador. Se você é uma pessoa extremamente racional, é melhor escolher outro título no seu catálogo da Netflix.

The OA não é uma série perfeita, existem alguns pontos estranhos que tangenciam o apelo para o descabido. Mas sua ousadia e provocações fazem valer à pena a maratona. É interessante ver uma obra do gênero sci-fi utilizar tantos elementos artísticos e tanto simbolismo. Um exemplo explícito disso são os “movimentos” (não irei entrar em detalhes para evitar spoilers).

Fica aqui uma última questão: será que uma segunda temporada resolveria os “problemas” e as dúvidas da primeira? Talvez o grande trunfo da trama seja exatamente deixar questões não respondidas para interpretações e percepções diferentes. Independente de ter uma continuação, The OA consegue proporcionar com esses 8 episódios uma experiência surpreendente, única e estranha.

Ritmo: 12 exp. Apesar de ser uma série relativamente curta e ser totalmente possível uma maratona, não dá para afirmar que o ritmo é de “tirar o fôlego”: parece que as coisas demoram muito para acontecer. Dá a impressão que 60 minutos é muito tempo de duração para um episódio.

Personagens: 14 exp. A construção da protagonista é bem feita e o carisma de Brit Marling cativa o telespectador. Apesar da ótima atuação do elenco, os personagens secundários não são explorados em sua totalidade. Se os confidentes de Praire fossem mais bem trabalhados, seria dado um peso maior e um significado mais profundo à história e à formação do grupo.

Qualidade da plot: 18 exp. O enredo é original, ousado, intrigante e totalmente aberto a interpretações. O artifício usado pelos criadores em fazer o telespectador oscilar entre a verdade e a mentira, entre o acreditar e o duvidar, é um dos pontos fortes da trama.

Cuidado com os detalhes: 16 exp. A fotografia e a trilha sonora da série são bem feitas e escolhidas. É possível perceber uma preocupação em definir alguns pontos importantes da série, como os “movimentos”, que foram todos elaborados pelo coreógrafo Ryan Heffington, conhecido pelos trabalhos feitos com a cantora Sia.

Empatia com o telespectador: 10 exp. Este é o quesito mais polêmico da avaliação. Como a série traz elementos e temas que podem incomodar algumas pessoas, além de afugentar o público mais racional, não dá pra dizer que sua aceitação será unânime.

 

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