Kiki de Montparnasse

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Juliana Yendo

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Kiki de Montparnasse é uma graphic novel biográfica sobre uma figura feminina de grande peso e importância cultural e artística na Paris entreguerras: Alice Prin, mais conhecida como Kiki de Montparnasse. Em um volume único com pouco mais de 400 páginas, José-Louis Bocquet tece a trajetória dessa importante figura, ilustrada pela francesa Catel Muller. Ganhadora de alguns prêmios do universo dos quadrinhos, essa obra traz à luz a história de uma mulher que, definitivamente, estava à frente de seu tempo.

 

Kiki de Montparnasse fotografada por Man Ray (1924)
Kiki de Montparnasse fotografada por Man Ray (1924)

 

Kiki foi uma artista completa e teve um papel ativo na vida cultural parisiense da época. Além de modelo e musa para diversos artistas, Kiki era pintora, dançarina, cantora e atriz. Sua ousadia, coragem, carisma e beleza exótica conquistaram todos ao seu redor, inclusive uma série de grandes ícones, como os pintores Fujita Tsuguharu e Moise Kisling, que consideravam Kiki sua modelo preferida, o escritor dadaísta Tristan Tzara e o fotógrafo surrealista Man Ray, com quem manteve um relacionamento íntimo. Outros nomes famosos, como André Breton, Ernest Hemingway, Jean Cocteau, Marcel Duchamp e Pablo Picasso, tinham contato e amizade com a Rainha de Montparnasse.

 

Kiki de Montparnasse, por Moise Kisling (1924)
Kiki de Montparnasse, por Moise Kisling (1924)

 

A HQ aborda toda a vida de Kiki, desde o nascimento até a morte, retratando os acontecimentos mais significativos em ordem cronológica. Há saltos temporais entre alguns capítulos, sendo que os anos mais representados são os que englobam o período entre a 1ª e 2ª Guerra Mundial, época em que Paris foi marcada por uma intensa efervescência cultural. É nesse contexto de grande entusiasmo artístico, boemia,  libertinagem, genialidade e algumas loucuras, que Kiki vivenciou sua ascensão e decadência como artista.

A trajetória de Kiki foi marcada por escândalos amorosos, drogas, álcool e muito sexo, que é representado em muitas passagens da HQ. Com sua forte personalidade, sua liberdade emocional e sua coragem em se expressar, Kiki afrontou costumes e modelos conservadores e, por meio de seu estilo de vida, questionou a postura tradicional da mulher na época em que viveu.

Seja pela sua ousadia, seja pelo seu entusiasmo em viver seus dias buscando sua liberdade das mais diversas formas, Kiki é uma artista que foi eternizada nas obras dos mais variados e renomados artistas. Kiki de Montparnasse é uma ótima oportunidade para o leitor conhecer mais sobre a vida dessa importante mulher, talvez pouco conhecida pela maioria das pessoas.

Fotografia
Ilustração da HQ (páginas 216 e 217)

Ficha Técnica

Título original: Kiki de Montpasnasse

Autor: Catel Muller (desenho) e José-Louis Bocquet (história)

País de origem: França

Lançamento: 2008

Lançamento Brasil: 2010

Tradução: Tatiana Salem Levy

Editora: Galera Record

Edição: 1ª

Preço médio: R$72,90 (29/11/2016)

Estilo: 16 exp. O traço de Catel é simples, porém bastante expressivo e marcante. Tanto os personagens como os cenários são bem desenhados. É muito divertido se deparar com o rosto dos grandes artistas ao longo das páginas, pois Catel consegue sintetizar e representar o rosto de cada um deles de uma forma funcional e bonita. Um detalhe que me agradou muito foi a divisão de capítulos. Foi criada uma “capa” para cada capítulo com o ano e o local em questão, acompanhado por um desenho que representa a localidade retratada. Esse artifício utilizado para contextualizar o leitor funcionou muito bem.

Personagens: 16 exp. Como se trata de uma biografia de Kiki, é evidente que ela é a personagem mais bem trabalhada no quadrinho. Não há muito espaço para explorar os demais personagens ao longo das páginas, até porque isso comprometeria o ritmo e a fluidez da leitura sobre os fatos da vida de Alice Prin. Como são citados muitos nomes famosos e importantes, os autores utilizaram um recurso interessante para não deixar o leitor desprovido de informações sobre essas personalidades: ao final da HQ, foram inseridos os perfis das figuras marcantes na vida de Kiki que aparecem ao longo da história.

Qualidade da plot: 18 exp. Para elaborar essa graphic novel biográfica, muita pesquisa e leitura foram feitas pelos autores. Basta olhar as três páginas de bibliografia inseridas no final da HQ. Existem algumas passagens ficcionais, como os próprios autores avisam, mas nada que comprometa a essência e a trajetória da Rainha de Montparnasse.

Cuidado com os detalhes: 18 exp. Existe nessa obra uma preocupação com os detalhes cuidadosa. O roteiro e texto de José-Louis Bocquet, preciso, claro e direto, representa com zelo os acontecimentos na vida de Kiki. Muito bem aliado a isso, Catel Muller consegue reconstruir a atmosfera da época, especialmente pelos cenários e figurinos, e representar detalhes que enriquecem a história, como as obras e cartazes da época.

Empatia com o leitor: 12 exp. Obras biográficas nem sempre são queridas pela maioria dos leitores, especialmente se for voltada para um tema ou contexto específico. Particularmente, eu gostei bastante pelo fato de ter grande interesse por artes, pelo contexto cultural de Paris nesse período entreguerras e, especialmente, por ter a chance de conhecer tudo isso pelos quadrinhos, uma das minhas formas favoritas de expressão.

 

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