O Chamado de Cthulhu

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Gustavo Ferratti

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Recentemente temos ouvido falar muito do finado escritor norte-americano H.P. Lovecraft. Não? Nem um pouquinho? Bem, se não conhece Lovecraft, eu aposto que já ouviu falar de um de seus personagens mais populares (talvez “o mais”): Cthulhu. Alguns pronunciam “Kutiulu”, outros “Quitulu”, “Quitulhu”,”Kafulú”, enfim, seja lá como você pronuncie o nome dessa entidade do mal (o que não importa, pois, segundo Lovecraft, a escrita do nome não é fiel a sua pronuncia original), saiba que o fato de você ter se deparado com ela mais do que de costume nos últimos meses não é mera coincidência.

Recentemente, a obra de Lovecraft virou domínio público, o que quer dizer que as pessoas podem usar o que foi criado pelo brilhante escritor norte-americano para fazer quadrinhos, canecas, camisetas, jogos… tudo isso à vontade, sem pagar direitos para ninguém! Legal, não é? Mais legal ainda é termos informações das origens desse personagem antes de julgar a inundação de referências feitas a ele. Foi com esse objetivo que resolvi comprar o e-book com a obra completa de Lovecraft e escrever este texto sobre O Chamado de Cthulhu, conto com a 1ª aparição dessa criatura tenebrosa. O Chamado de Cthulhu foi utilizado por Lovecraft para a criação do alicerce do seu universo em que “os antigos”, seres caóticos e maldosos predecessores de qualquer forma de vida terrestre, habitam o nosso planeta em segredo e contam com a colaboração de (o)cultistas para dominar a terra novamente. Sem mais delongas, vamos à resenha!

 

Cthulhu perfil
Que tal um retrato de perfil do Cthulhu para decorar sua casa?

 


Ficha Técnica

Titulo Original do Conto: The Call of Cthulhu

Data de Publicação: 1926

Título do Livro: Complete Collection of H. P. Lovecraft

Data de Publicação: 2014

Gênero: Horror, Suspense, Ficção Científica

Autor: H. P. Lovecraft

Preço do E-book: R$2,33 (link)

Editora: Ageless Reads


História

A história O Chamado de Cthulhu é contemporânea ao período de escrita de Lovecraft, logo, década de 20. A trama gira em torno do sobrinho-neto de George Angel, um professor de línguas semíticas com grande renome na universidade de Brown. Angel morreu misteriosamente de “enfarto” e o protagonista de nome desconhecido vai até a cidade do tio-avô para participar dos procedimentos legais de seu falecimento. Ao revirar os pertences do tio-avô, o protagonista encontra uma pequena caixa com a imagem de uma criatura bizarra com cara de polvo, asas de dragão e partes humanas, toda feita em argila. Além disso, na caixa estão manuscritos e notícias de jornal sobre sociedades secretas, ceitas ocultas, surtos de esquizofrenia e relatos de sonhos macabros. Aparentemente, seu tio-avô encontrou uma conexão entre esses eventos isolados e essa criatura. O conto é dividido em três-partes, de forma que em cada parte mais informações sobre Cthulhu, os anciões cultistas nos são dadas. Nas nas duas primeiras partes, ocorre a releitura das informações que o tio-avô do protagonista coletou. A terceira é a continuação da busca do Prof. Angel pelo protagonista. Em algum momento, Cthulhu se revela, mas não serei mais específico do que isso para evitar spoilers.

 

Pistas sobre a Revelação de Cthulhu

Estilo

Como o conto tem praticamente um século e eu o li em Inglês, achei o vocabulário um pouco arcaico e complicado. Algumas palavras foram modificadas, outras não são mais utilizadas pelo seu caráter moralmente incorreto e preconceituoso. Contudo, isso é reflexo do período que o autor viveu e da maneira que foi educado. De maneira alguma posso fazer juízo de valor de Lovecraft, pois apesar de sofisticado, seu estilo de escrita é imersivo e jamais será um empecilho para a intensidade da história que escreveu. Além disso, a narrativa intercalada entre 1ª e 3ª pessoa e o linguajar científico e técnico faz com que tudo seja ainda mais horripilante e próximo da nossa realidade. Nada se consagra por quase um século sem um toque de mestre.

 

RIP H.P. Lovecraft

 


Referências

Não poderia finalizar a minha resenha sem mostrar a popularidade de Cthulhu, bem como todos os easter eggs que os fãs de Lovecraft colocaram em suas mais diversas produções autorais. Separei exemplos mais que especiais para expor aqui. As imagens e legendas são autoexplicativas, por isso, não me estenderei mais no texto.

 

Para quem acha que Aquaman é o bostão da DC, olha que criaturinha o “homem-sereia” foi capaz de invocar

 

 

The Coon frente a frente com Cthulhu em South Park

 

Cthulhu no Jogo Terraria

 

Bart tirando onda com Cthulhu em “Os Simpsons”

 

Cthulhu no Desenho Rick & Morty
Camiseta da Música Call of Ktulu da Banda Metallica

 

Jogo de tabuleiro Pandemic com temática de Cthulhu. Compre aqui !!!

 

Ritmo: 16 exp. Apesar da dificuldade fornecida pelo vocabulário arcaico, reflexo do período em que a obra foi escrita, a narrativa é imersiva, bem segmentada e o conto é curto. Tudo colabora para um ritmo de leitura intenso e compassado.

Personagens: 18 exp. Existem poucos personagens humanos em destaque na obra e a quantidade deles com nome e descrição física é menor ainda. No entanto, isso não é nem um pouco prejudicial à história, pois o foco dela é o terror de Cthulhu e seus amigos diabólicos. As ações e ofícios dos personagens nos dizem exatamente o que precisamos saber para que a história faça sentido e não saia de foco.

Qualidade da Plot: 20 exp. A trama é aterrorizante, imersiva e épica. Como já disse, nada se consagra por um século sem maestria.

Cuidado com os Detalhes: 20 exp. O conto O Chamado de Cthulhu é o alicerce de todo o universo criado por Lovecraft. Logo, o cuidado do mesmo em descrever e relacionar eventos em diversas partes do mundo é impressionante. Temos fatos tenebrosos nos círculos polares, na Austrália, nos Estados Unidos… e na sua cidade!

Empatia com o Leitor: 18 exp. Tenho certeza que fãs de ficção científica, fantasia e horror (não necessariamente dos três, mas de pelo menos um) se identificarão muito com a obra. Para quem gosta de Stephen King é um prato cheio, já que Lovecraft  é evidentemente uma de suas maiores inspirações. Contudo, faço uma pequena ressalva para as pessoas facilmente impressionáveis que podem se sentir incomodadas.

 

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