Crônicas de Tormenta

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Gustavo Ferratti

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Saudações, galera! Hoje irei falar de uma antologia de contos que tem como pano de fundo o cenário de RPG nacional Tormenta (resenha aqui). Crônicas de Tormenta serve tanto para os fãs de Tormenta RPG, quanto para leitores que não sabem nada sobre Tormenta, mas gostam de literatura fantástica. O primeiro grupo aproveitará o livro para encontrar easter eggs, fazer “ganchos” em sua sessões de RPG de mesa e ter ideias para a história dos seus personagens. Já o segundo grupo, apreciará crônicas brazucas de excelente qualidade e, quem sabe, ficará motivado a formar um grupo de RPG e migrar para o primeiro (hehehe). Independente de qual dos dois grupos você se encaixar, vem comigo na resenha! Garanto que não irá se arrepender! 😉

Belíssima Imagem de Capa do Livro Crônicas de Tormenta

Ficha Técnica

Titulo Original: Crônicas de Tormenta – Antologia de Contos

Gênero: Aventura, RPG

Autores: Diversos

Organizador: J. M. Trevisan

Lançamento: 2011

Editora: Jambô

Páginas: 279


Crônicas de Tormenta é uma compilação de 14 contos de 12 escritores brasileiros distintos. Alguns deles são consagrados e diretamente envolvidos com o desenvolvimento do cenário de Tormenta (Cassaro, Trevisan, Caldella), outros são participantes de projetos paralelos que compartilham do mesmo amor pelo cenário. Uma pequena espiadela na descrição dos autores (no final do livro), revela o nível de experiência e grau de ecletismo de cada autor (tem de “roteirista da Mônica Jovem” a “editor da revista Rolling Stone”). De fato, com o desenrolar da leitura da obra, torna-se evidente a experiência dos escritores e a qualidade de todos os textos.

No entanto, ao mesmo tempo que a equipe de múltiplos autores traz diversidade e riqueza a Crônicas de Tormenta, no fritar dos ovos, essa heterogeneidade acarreta em pequenos problemas de ritmo. Se você for ler uma crônica por noite, provavelmente não irá reparar nesse quesito, mas a leitura sequencial não é exatamente natural devido às distintas capacidades narrativas dos autores. Enquanto alguns tem o dom de contar histórias em poucas palavras, outros, nitidamente, foram suprimidos pela falta de espaço. Uns focam na ação e outro na descrição. Uns simplificam e outros usam adjetivos rebuscados. Uns apresentam o desfecho surpreendente, outros reflexivos e abrangentes.

Para a felicidade geral da nação, tal heterogeneidade garantirá ao menos uma história pela qual você se identifique e a quantidade de histórias boas é muito superior a de histórias ruins. A temática das crônicas é bem diversificada e abrange batalhas de deuses, cavernas com dragões, navegações piratas, expedições no deserto e missões de stealth nos subúrbios da cidade.

Como não cabe a mim julgar os autores, mas avaliar o conjunto da obra, concluo que Crônicas de Tormenta é um bom livro para se ter na estante. Na sequência, coloquei um breve resumo de cada um dos contos para que o leitor decida qual história melhor se adéqua ao seu perfil (as que eu mais gostei marco com um asterisco).

 

  1. História de Herói  (Leonel Caldela) – pgs. 11 a 27 *

Galdwin, um paladino de Khalmyr, retorna a Hershey, sua terra natal, para enterrar seu pai. Enquanto isso, Tauron e Khalmyr se enfrentam no Plano dos Deuses. Nem tudo no Reino da Guloseima é tão doce quanto parece.

 

  1. Teopatia (Remo Disconzi) – pgs. 29 a 39

Zerimar, um humilde auxiliar de açougueiro, começa a ter alucinações e ouvir vozes clamando ordens extremamente perturbadoras. Obedecê-las trará sérias consequência para a sua vida e a de toda metrópole, mas não as obedecer é impossível.

 

  1. O último Golpe de Javelin (Cláudio Villa) – pgs. 41 a 50

Em Ahlen, o reino da intriga, o ladino Javelin Pés Descalços busca o último golpe que o faça entrar para a História. Aparentemente, o reino de Marah, a deusa da paz, tem o que ele procura.

 

  1. Ária Noturna (Marlon Teske) – pgs. 53 a 79*

Jean-Luc, capitão pirata do navio Réquiem, anda na prancha de seus inimigos com uma bola de ferro presas nos pés. Ele está disposto a enfrentar sua morte pelos crimes que cometera no passado, mas o que o conduziu até ali?

 

  1. Canção para Duas Vozes (Ana Cristina Rodrigues) – pgs. 79-99

Victor, um bardo de prestígio, une-se à desprovida barda Crisobel para explorar as proximidades da Área de Tormenta de Trebuck e obter material de composição para a obra-prima de suas vidas. Será que eles sabem dos horrores que os esperam?

 

  1. Revés (Douglas MCT) – pgs 102 a 110

Mona, uma camponesa comum de uma vila de pescadores, explora as ruínas de um externato mágico em Wynlla, o reino da magia.

 

  1. O Perfil do Escorpião (Rogério Saladino) – pgs. 113 a 128*

Uma expedição de mercenários pede auxílio ao heroico nômade Abdullah para encontrar a Pedra do Escorpião no cruel e árido Deserto da Perdição.

 

  1. Lua de Trevas (Leandro Radrak) – pgs. 131 a 142*

Na Taverna Cabeça de Peixe, um dos muquifos mais imundos de Valkaria, um viajante inicia a narrativa de um assassino habilidoso que comete seus crimes exclusivamente nas noites de lua nova.

 

  1. Hedryl (Raphael Draccon) – pgs. 145 a 169*

Um paladino de Hedryl ressuscita dos mortos e anda a esmo nas terras assoladas de Lamnor, tentando encontrar sentido para a sua vida e fazer justiça ao que restou daquilo que ele conhece por mundo.

 

  1. O Rouxinol e os Espinhos (Remo Disconzi) – pgs. 171 a 181

Rhoeo, um caça-talentos do mundo artístico, compra a escrava Ediriel apostando que a mesma seja selecionada pela Dama Âmbar para o maior espetáculo artístico já empreendido no Reinado: A Obra de Arte Total.

 

  1. Arautos da Guerra (Antônio Augusto Shaftiel) – pgs 181 a 205

Quatro guerreiros rejeitados do grupo da Sexta Lâmina de Keen são enviados em uma missão suicída para recuperar a armadura negra do deus da Guerra.

 

  1. Vingador de Aço (Marcelo Cassaro) pgs 206-223 *

Após muitos anos escondidos, o bárbaro caçador Taskan e seu hipogrifo Rigel, enfrentam a criatura mítica que aniquilou o povoado ao qual pertenciam nas Montanhas Sanguinarias.

 

  1. Ressurreição (Leonel Caldela) – pgs. 225 a 250

Um grupo heterogêneo de mercenários tem suas vidas conectadas por uma maldição. Eles devem se proteger mutuamente e seguir juntos para sobreviver, mas um dos membros abandona o grupo e jura só voltar quando puder matar todos os outros.

 

  1. O Cerco (J.M. Trevisan) – pgs. 253 a 279 *

O halfling Boghan e o elfo Thalin participam de uma competição de Queda de Braço na Taverna do Ganso Afogado, enquanto a Aliança Negra planeja um ataque à cidade em que se encontram.

Ritmo: 12 exp. Todas as crônicas são muito bem escritas, mas a diversidade dos estilos narrativos dos autores pode comprometer o ritmo. Alguns autores são mais objetivos e focam no desenrolar da história, enquanto outros possuem um estilo descritivo e ritmo mais lento. Nada que atrapalhe quem for ler um conto por noite, mas a organização das crônicas não faz muito sentido para leitores de “uma sentada”.

Personagens: 15 exp. Os personagens são bem descritos fisicamente e psicologicamente. Alguns deles marcam muito o leitor e são bastante originais, por exemplo, o bárbaro “carinha de anjo” do conto Arautos da Guerra e o ambicioso capitão Jean-Luc do conto Ária Noturna. Outros não são tão originais e inovadores assim (como os clássicos paladinos de Khalmyr), mas a história tende a compensar a ordinarice deles.

Qualidade da plot: 17 exp. Independentemente do ritmo, considero quase todas as histórias marcantes, únicas e cuidadosamente pensadas. O mosaico formado ao final da obra é bastante interessante e permite que o leitor sinta que, de fato, tem algum conhecimento sobre Tormenta RPG.

Cuidado com os detalhes: 16 exp.  O mundo de Arton, extremamente rico e detalhado, é fielmente reproduzido na totalidade dos contos. Os deuses citados, os reinos, os episódios históricos, os vilões, os artefatos sagrados, tudo segue fielmente as concepções originais do universo e faz com que o fã de Tormenta RPG se sinta em casa.

Empatia com o leitor: 14 exp. Fãs de Tormenta RPG terão mais empatia com a obra, isso é inevitável. Contudo, Crônicas de Tormenta pode ser uma porta de entrada para pessoas que nunca jogaram e apreciam a literatura fantástica, já que possui contos tupiniquins cativantes e de qualidade.

 

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