Dog Mendonça & Pizza Boy

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Gustavo Ferratti

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Saudações, galerinha! Seguindo a tendência recente de jogos point & Click comentados aqui no site (Game Dev Tycoon e Crimes & Punishment), escrevo esta resenha para falar um pouco de uma preciosidade que encontrei na STEAM capaz de combinar muito bem o mundo dos quadrinhos com o dos jogos eletrônicos. Estou falando das Aventuras Interativas de Dog Mendonça & Pizza Boy (nome cumpriiiiido), um game baseado na série homônima de quadrinhos criada pelo lisbonense Filipe Mello, ganhadora, por diversos anos consecutivos, de prêmios como melhor publicação, melhor álbum e melhor autor nos festivais FIBDA e Central Comics (eventos europeus de quadrinhos independentes).

A história é ambientada em Lisboa, Portugal, em um cenário moderno (com carros, televisores, telefones e cidades urbanizadas) com atmosfera sobrenatural (com gremlins, fantasmas, demônios e lobisomens). Se você é do tipo que se assusta facilmente, não se preocupe! Toda a atmosfera é permeada por elementos humorísticos e cartunescos, o que tornam o jogo playable para qualquer pessoa que seja capaz de assistir Scooby-Doo. Apesar das semelhanças no quesito investigativo, ressaltaria três diferenças gritantes de Dog Mendonça & Pizza Boy para Scooby-Doo: a máquina do mistério é um fusca azul muito mais maneiro, as piadas realmente têm graça e, bem, os monstros existem de verdade.


Ficha Técnica

Título Original: The Interactive Adventures of Dog Mendonça & Pizza Boy

Desenvolvedor: OKAM Studios

Distribuidor: Steam

Gênero: Aventura, Point & Click

Lançamento: 2016

Plataforma: Linux, Mac OS, Windows

Online: Não


História

A história do jogo começa pelo fim. Dog e Eurico (ou Pizza Boy) estão pendurados pelos pés, de ponta-cabeça, na iminência de cair em um caldeirão de cera fervente. Não existe momento mais propício para filosofarem sobre o que lhes conduzira até ali… e assim eles fazem, levando-nos para a primeira cut scene do jogo: uma perseguição de carro a um grupo de gárgulas criminosas (para quem não se lembra, gárgulas são criaturas vivas feitas de pedra à la O Corcunda de Notredame). Já percebemos o caráter cômico do jogo, ao saber que introdução foi colocada ali só porque um dos personagens (Dog) achou que seria mais legal começar a história com uma perseguição de carros. Apesar de não ter relação nenhuma com a história principal do jogo, a introdução é bem pensada, pois remete a outros episódios da série de quadrinhos e dá informações importantes sobre os personagens.

 

Dog e Pizza Boy em sua primeira (ou seria última?) enrascada
Dog e Pizza Boy em sua primeira (ou seria última?) enrascada

 

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Perseguição de carro sugerida por Dog para começar a narrativa

 

A história inicia, de fato, quando uma nova cliente chamada Nadia vai ao escritório de Dog para pedir ajuda. Pessoas estão desaparecendo por causa de um fantasma mascarado que voltou para assombrar pessoas (e monstros) de bem. Aparentemente, a reaparição deste fantasma está relacionada a uma maldição lançada por uma cigana em seu leito de morte. Nadia está infundadamente insegura se a equipe de Dog merece ganhar o caso, afinal de contas, existe alguém mais qualificado para a resolução de um mistério do que um detetive fora de forma, um entregador de pizza, um demônio de 6.000 anos preso no corpo de uma garotinha e uma cabeça de gárgula falante? Dog Mendonça convence a belíssima Nadia a confiar em seu time, levando-a despretensiosamente para aprender mais sobre o caso (e quem sabe pegar um cinema). Algumas horas depois, Eurico recebe uma ligação de Dog que está em sérios problemas e pede ajuda de sua equipe. Primeira parada: Motel Romero (o que será que Dog estava fazendo com Nadia?).

 

Interrogatório da Equipe de Investigadores com a cliente Nadia
Interrogatório da Equipe de Investigadores com a cliente Nadia

Principais Personagens

Apesar da grande quantidade de personagens, todos eles muito carismáticos e marcantes, enfatizarei somente os principais. Deixo aqui minha lembrança aos personagens Vasco com suas metáforas de RPG, o chinês traveco de Chinatown e o agiota com problemas de memória de curto-prazo.

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Dog Mendonça: típico europeu bonachão, barrigudo e que acha que sabe de tudo. Vive atazanando Eurico e é capaz de se transformar em lobisomem nas noites de lua cheia.

 

 

 

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Eurico (Pizza Boy): o ex-entregador de pizza mais miserável que você irá conhecer. Trabalha para Dog sem receber um tostão e não nos deixa esquecer, ao longo da campanha, o quanto está quebrado (a ponto de haver zombarias de que ele não tem nem carteira).

 

 

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Pazuul: demônio de 6.000 anos preso no corpo de uma garotinha. Apesar do laço e do vestidinho vermelho, a expressão séria aliada à sua postura curvada e o cigarro na boca não deixam enganar sobre a sua verdadeira identidade. Personalidade marcante, apesar de não dizer uma única palavra no jogo inteiro (seus balões são sempre “…”).

 

 

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Gargoyle: uma cabeça de gárgula falante separada do seu corpo original por Dog. Suas falas e expressões compensam o silêncio e a indiferença de Pazuul.

 

 

 

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Nadia: cliente de Dog e Eurico, assume um papel relevante ao longo da história que não será revelado aqui para evitar spoilers.

 

 

 


Mecânica

A ambição do jogo é ser uma história em quadrinhos interativa e no quesito história em quadrinhos não há o que reclamar: arte belíssima feita à mão, muitas referências a elementos do cenário geek e ambientação sonora de alta qualidade. Contudo, no quesito interativo, o jogo pode deixar a desejar para jogadores mais assíduos que não estiverem na vibe de “ler uma história em quadrinhos”.

A mecânica do jogo é bastante simples e restrita: você interage com o cenário clicando sobre ele ou arrastando os itens da jaqueta de Pizza Boy. Quando o cenário tiver um elemento interativo, irá te dar 3 opções: observar, interagir fisicamente ou usar a boca. As ações variam de objeto para objeto, por exemplo, usar a boca em um monte de pimenta pode significar soprá-la nos olhos de alguém, enquanto usar a boca em uma pessoa significa falar com ela.

 

Opções de Ação: observar, interagir fisicamente e usar a boca (para falar, sobrar ou lamber)
Opções de Ação: observar, interagir fisicamente e usar a boca (para falar, soprar ou lamber)

 

Todos os itens ficam armazenados na jaqueta de Eurico, acessível por um único clique no canto da tela. Os itens podem ser combinados entre si ou utilizados nos elementos de cenário para provocar novas ações. Por exemplo, se você arrastar um jarro de óleo de sua jaqueta para algum elemento do cenário poderá lubrifica-lo.

 

A jaqueta com espaço interno infinito de Eurico
A jaqueta com espaço interno infinito de Eurico

 

Uma última forma de interação bastante presente são os diálogos investigativos. Neles, você deve fazer as perguntas usando as abordagens corretas para extrair o máximo de informação da pessoa com quem está falando, sem intimidá-la. Saber qual o tipo de abordagem usar para persuadir uma pessoa a “dar com uma língua nos dentes” é algo essencial, que inevitavelmente o jogador aprenderá. Às vezes, ameaçar alguém é a abordagem mais eficiente, em outros casos caçoar, em outros, ainda, ser gentil.

 

Qual a pergunta faço para essa cabeça de gárgula idiota?
Qual a pergunta faço para essa cabeça de gárgula idiota?

 

Dog Mendonça & Pizza Boy tem uma história linear aliada a elementos de reação em cadeia que envolvem pegar um item no chão, trocar esse item com um personagem, trocar o item trocado com outro personagem, com outro, com outro e chegar no objeto que você precisa. Às vezes, suas restrições de interatividade podem incomodar e, diga-se de passagem, o jogo é bem curto (com menos de 5h de gameplay), sem um replay muito alto. Se você jogar de novo, passará por exatamente a mesma experiência que da primeira vez. Não existe liberdade de escolha do jogador ou opções de finais distintos. Ao mesmo tempo, isso garante a consistência da história (que é muito bem bolada) e prende a atenção do jogador do início ao fim. Encare As Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy como uma alternativa a um filme no final de semana.


Easter Eggs

Dediquei essa pequena seção para ressaltar o bom gosto geek dos criadores do jogo. No game, encontramos muitos easter eggs que cobrem uma gama enorme de super-heróis, vilões, personagens de filmes de terror e ficção científica. Obviamente, tais elementos estão levemente modificados para que o pequeno estúdio não tivesse despesas muito altas com direitos autorais. Acho que uma imagem vale mais do que mil palavras, então confiram as três screenshots que separei do meu gameplay!

 

Referências: Pequena Sereia, o Incrível Hulk e o Fauno das Crônicas de Nárnia.
Referências: Pequena Sereia, o Incrível Hulk e o Fauno das Crônicas de Nárnia.
Será que eles estavam querendo referenciar o Samly dos Monstros S.A.? É só ler a descrição.
Será que eles estavam querendo referenciar o Samly dos Monstros S.A.? É só ler a descrição.
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Palhaço do IT, Cthulu, R2D2, Pinhead, Jason… Quais outras referências você consegue achar?

 

História: 20 exp. Personagens marcantes, bom humor e uma história que prenderá o jogador do início ao fim.

Gráficos: 20 exp. Arte belíssima feita à mão por Filipe Mello faz com que o jogador realmente se sinta dentro de uma história de quadrinhos. Cenários extremamente bem detalhados, com excelentes efeitos de luz e sombra e paleta de cores muito bem escolhida para cada ocasião.

Jogabilidade: 10 exp. Sei que no jogo point & click supostamente o jogar deve apenas apontar e clicar na tela, mas a pequena quantidade de elementos interativos no cenário deixa de tornar a experiência ainda mais rica. Tudo é muito linear e previsível, sem side quests, minigames, etc.

Replay: 1 exp. Provavelmente, você jogará o jogo uma vez… e é isso. Não há muito o que fazer depois. Nota não é zero pelo replay, que existe caso você não feche o game em uma “sentada” (o que é bem difícil pelas poucas horas de gameplay).

Som: 18 exp. O jogo é inteirinho dublado, não existe um personagem sem voz. Além disso, a trilha sonora casa muito bem com os ambientes criados, intensificando a experiência de imersão na história.

 

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