Outlander

Gabriela Monteiro

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Colaboradora em Com'Aboard Geek Culture
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Gabriela Monteiro

 

Vocês, com certeza, já pensaram em como seria legal viajar no tempo, não é mesmo?  Poder mudar algo no passado ou dar aquela espiadinha no futuro! Mas já imaginaram se isso acontecesse involuntariamente, quando vocês menos esperassem, sem que soubessem o motivo ou mesmo como voltar para seu tempo real? E ainda fossem parar bem no meio de uma batalha do século XVIII? Pois é, amigos, foi exatamente isso o que aconteceu com a personagem principal de Outlander, série que acabou de ter sua primeira temporada estreada na Netflix. Com um ritmo alucinante, a adaptação dos livros de Diana Gabaldon, que tem como plano de fundo a viagem no tempo, é perfeita para quem gosta de história, romance, ação e fantasia. Mesmo sem um orçamento gigantesco se comparada a Game of Thrones ou The Crown, por exemplo, a série possui uma grande preocupação com os detalhes e faz que o telespectador se sinta dentro da atmosfera e da época que se passa cada episódio.

 

Cena primeira temporada - Dança circular em Craigh na Dun
Dança circular em Craigh na Dun.

Ficha Técnica

Título original: Outlander

Gênero: Drama, Romance, Fantasia, Época

Lançamento: 09 de Agosto de 2014 (original); 05 de Outubro de 2016 (Netflix)

Criador: Ronald D. Moore, baseado nos livros de Diana Gabaldon

Diretor: John Dahl

País de origem: EUA

Duração: 50 minutos (média)

Número de episódios: 16 (1ª Temporada), 13 (2ª Temporada – o último episódio é duplo)

Número de temporadas: 2 (renovada para a terceira e quarta)

Plataforma: Original pela Startz (EUA).  No Brasil, pelos canais de stream Claro Vídeo e Net Now e também na Netflix (1ª Temporada).

 

Cena primeira temporada - Claire
Cena primeira temporada – Claire.

Preview • SPOILER ALERT •

Ano de 1945, Inglaterra. A enfermeira Claire Randell (Caitriona Balfe), mulher forte e independente, viaja com seu marido, o professor de história Frank Randell (Tobias Menzies), para a região de Inverness, localizada nas terras altas (Highlands) da Escócia. Após cinco anos separados, devido à 2ª Guerra Mundial, a viagem tinha como objetivo de ser a segunda lua de mel do casal. O local, além de proporcionar incríveis paisagens românticas, foi escolhido para que Frank pudesse estudar e obter maiores informações sobre um de seus antepassados: o capitão Jonathan Randell (Tobias Menzies), conhecido como “Black Jack”, que, durante a narrativa, liderou tropas na Batalha de Culloden, em 1746. Ao chegar à pequena cidade, Claire logo percebe que a população dali é bem supersticiosa e, em uma noite, o casal presencia nas pedras de Craigh na Dun um ritual de dança circular sagrado. No dia seguinte, enquanto o marido faz suas pesquisas históricas, Claire resolve voltar ao local até que, de repente, ao tocar em uma das pedras, ela se sente mal e desmaia.

O ano era de 1743, Escócia. Claire, assustada e ainda sem saber o porquê da paisagem ao seu redor ter mudado e seu carro ter desaparecido, percebe que está no meio de um tiroteio. Ao correr e tentar pedir ajuda, um soldado inglês, bem parecido com seu marido por sinal, tenta estuprá-la. Por sorte, é salva por um grupo de highlanders liderados por Dougal MacKenzie (Graham McTavish) que a levam para o Castelo do protetor de seu clã: Colum MacKenzie (Gary Lewis). Durante o caminho, ela ajuda a curar a ferida de Jamie (Sam Heughan) e logo ganha a amizade do jovem escocês. Sem deixar que ninguém perceba sua situação, Claire precisa arrumar um jeito seguro de voltar para Craigh na Dun, na qual acredita, sem ter certeza, que poderá voltar para 1945. Porém, quanto mais tempo ela vive em 1743, mais seu coração fica dividido entre qual época seu futuro pertence.

 

Claire e Jamie - cena primeira temporada
Claire e Jamie – cena primeira temporada.

Curiosidades e Premiações

A emocionante narrativa conta com uma grande preocupação com os detalhes. O figurino, por exemplo, é costurado exatamente como no passado (sem o uso de velcro ou zíper). Não à toa, foi indicada à categoria de Melhor Figurino de Série de Época/Fantasia no Emmy 2016. Houve também o cuidado de contratar atores escoceses, ingleses e até mesmo franceses para dar vida aos personagens. A escolha do ator que interpreta Jamie Fraser foi muito elogiada por Diana Gabaldon, autora dos romances, por ser muito parecido com o personagem descrito nos livros. O idioma falado na série varia por vezes entre inglês, francês e o gaélico. Também mostra a diferença de alguns termos entre o passado e o presente.

Quanto à fotografia, as cores das cenas se contrastam dependendo da época em que Claire se encontra. Diferentemente do que se imagina, o passado (1743) é mostrado com cores vivas e alegres. Já o presente (1945), com cores frias, tristes e apagadas, quase como se a própria personagem não pertencesse àquele tempo. Esse contraste está presente no ambiente rústico do passado com a modernidade do presente.

 

Cena primeira temporada - Claire e Frank
Cena primeira temporada – Claire e Frank em 1945.

 

Cena primeira temporada - Claire e Jamie
Cena primeira temporada – Claire e Jamie em 1743.

 

Além da viagem no tempo, outro plano de fundo da narrativa é o Movimento Jacobita e a Batalha de Culloden, ocorrida na Escócia em 1746. Contada no seriado de maneira fictícia, a última batalha campal do Reino Unido foi considerada o desastre nacional Escocês. Após a derrota, o modo de vida Highlander foi extinto, sendo que o uso do kilt e do tartan (padrão quadriculado no qual cada clan tinha o seu) foram proibidos por 100 anos. O próprio sistema de Clans quase desapareceu por completo. Os motivos da batalha foi devido à causa Jacobita de tentativa de restabelecer o reinado Stuart na Inglaterra. Tiveram apoio dos highlanders. Católicos, estavam descontentes com o reinado protestante e com as atitudes da Inglaterra em território escocês. Após uma campanha de mais de um ano, com diversas batalhas, a causa foi considerada perdida após a derrota no pântano de Culloden, a qual o príncipe Charles Edward Stuart, aspirante ao trono, foi obrigado a fugir para a França.

Falando nisso, o próprio tema de abertura da série é uma interpretação de uma canção de 1884, The Skye Boat Song. A canção original, escrita por Harold Edwin Boulton, narra a fuga do príncipe Charles Edward Stuart após sua derrota na batalha de Culloden. Na interpretação do compositor Bear McCreary (que fez também o tema de abertura de The Walking Dead), a letra menciona a viagem de uma moça através de ilhas, mares e montanhas. A abertura de Outlander conta também com cenas de batalhas, incríveis paisagens escocesas e danças circulares folclóricas. MacCreary, aliás, compôs a maior parte da trilha sonora de da série.

A série já foi indicada a várias premiações pelas mais diversas categorias. Entre as que venceu, encontram-se o de “Série de Drama Favorito” e “Duo Favorito” (Caitriona Balfe  e Sam Heughan) do TV Guide Award 2014 e “Programa de TV Favorito” de 2015/2016 e “Atriz favorita” (Caitriona Balfe) de 2016 pelo People’s Choice Award.

 

Elenco Outlander - Da esquerda para a direita: Tobias Menzies, Graham McTavish, Sam Heughan, Caitriona Balfe e novamente Tobias Menzies.
Parte do elenco de Outlander – Da esquerda para a direita: Tobias Menzies (capitão Jonathan Randell), Graham McTavish (Dougal Mackenzie), Sam Heughan (Jamie Fraser), Caitriona Balfe (Claire Randell) e novamente Tobias Menzies (Frank Randell).

Ritmo: 18 exp. O ritmo dos episódios é estonteante e com várias surpresas na narrativa. O corte e o contraste entre o passado e o presente é muito bem feito e não quebra o ritmo dos episódios. Tirei 2 pontinhos por alguns poucos momentos de ritmo mais lento da segunda temporada.

Personagens: 20 exp. No geral, a atuação é excelente. Destaque para Caitriona Balfe, Sam Heughan e Tobias Menzies (que interpreta dois personagens).

Qualidade da plot: 20 exp. Excelente. Trama muito bem feita e com muitas surpresas (muitas mesmo).

Cuidado com os detalhes: 20 exp. Excelente. Como disse no texto, cada detalhe foi pensado para ambientar o telespectador com a época: as cores do cenário, o figurino, as falas dos personagens, entre outros.

Empatia com o telespectador: 18 exp. Tirei dois pontinhos para quem acha que a série tem muito romance. Mas envolve diversos outros temas, então diria para dar uma chance!

 

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