O Lar das Crianças Peculiares

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Juliana Yendo

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É muito complicado falar sobre um filme que foi produzido utilizando como base um livro já publicado. A primeira coisa é ter em mente que se trata de uma adaptação, portanto, é uma interpretação de outra pessoa – diferente do autor original da obra – que, evidentemente, irá resultar em um produto diferente, uma nova experiência.

O Lar das Crianças Peculiares estreou no final da semana passada e alimentava uma grande expectativa por se tratar de um filme dirigido por Tim Burton e de uma adaptação de um best-seller. O público estava ansioso para ver o resultado da obra de Burton, pois muitos consideram que o diretor andou “errando a mão” em seus últimos filmes, como Alice no País das Maravilhas e Sombras da Noite.

 

criancas
As crianças peculiares

 

Apesar da grande dificuldade em separar as diferenças entre o livro e o filme, vou tentar fazê-lo e, no final, apontar as principais mudanças feitas por Tim Burton e pela roteirista Jane Goldman em relação à obra original. Não irei entrar em detalhes para explicar a história e os personagens, caso não conheça a trama e queria saber mais, clique aqui e confira nossa resenha sobre o livro.

Em O Lar das Crianças Peculiares, fica bem clara a existência de uma preocupação em divertir o público e talvez a “falta” do tom sombrio de Burton, característica marcante do diretor. Claro que há esse traço, porém, não está assinalado do começo ao fim do longa-metragem, como em outras obras de Burton.

Senti várias rupturas ao ver o filme que, particularmente, me incomodaram bastante. Por exemplo: estamos ansiosos vendo a bonita abertura do filme, com os créditos iniciais, as fotografias e a música, sendo introduzidos nesse universo e, de repente, ocorre uma quebra brusca da introdução e somos levados a uma cena ensolarada na Flórida. Ok, talvez eu esteja sendo meio “crica”. Mas ao longo do filme, percebi quebras no ritmo muito abruptas, como a cena em que Jake está nas ruínas do orfanato e encontra as crianças pela primeira vez: ele se assusta, sai correndo, tropeça, desmaia e, do nada, estamos na próxima cena. Oi?

Definitivamente, o público-alvo do filme é o infanto-juvenil. Existem algumas passagens mais sombrias e “pesadas”, que deixariam os mais novos facilmente impressionados (como a cena em que Enoch mostra pela primeira vez sua peculiaridade a Jake ou a cena em que é explicado o motivo de os etéreos e acólitos perseguirem os peculiares), mas nada muito assustador para o público mais velho e para quem está acostumado com o estilo do diretor.

 

burton
Tim Burton com os “brinquedos” de Enoch

 

A atuação do elenco não teve nada de especial ou de excepcional. No geral, achei as atuações bem medianas – se considerarmos que é um filme para a “moçadinha” ver e se divertir, talvez até convença. No meu ponto de vista, quem mais se destacou foi a atriz Ella Purnell, que fez o papel de Emma. Criei grandes expectativas com a participação de Eva Green (Penny Dreadful) como Srta. Peregrine, pois achei que ela seria perfeita para o papel e que tinha tudo a ver. Mas sua participação não teve nada de espetacular, esperava bem mais.

 

peregrine
Eva Green como Srta. Peregrine

 

Asa Butterfield (A Invenção de Hugo Cabret) como Jake até agora não me convenceu: sua falta de expressão e emoção descoloriram o personagem a ponto de deixa-lo apático demais, sem graça. Talvez essa tenha sido a intenção do diretor – vai saber – mas o personagem ficou fraco demais, inexpressivo demais. Podiam ter explorado melhor a importância que o avô tinha em sua vida e o grande significado em descobrir seus mistérios e segredos. Samuel L. Jackson como Mr. Barron foi um dos principais responsáveis por trazer o lado cômico e divertido para a trama. Porém, seu papel de “canastrão” apenas reproduziu mais do mesmo.

Tanto o filme, como o livro foram feitos para o entretenimento do público. Ransom Riggs não cria nada de novo e espetacular em seu romance. No meu ponto de vista, seu grande trunfo foi a forma com que ele concebeu sua narrativa – através das fotografias antigas. Elas são as responsáveis por trazer grandiosidade à obra e a sua preciosa peculiaridade. Isso se perdeu no filme. Não consegui identificar a peculiaridade na obra de Tim Burton. Os efeitos especiais são fantásticos, isso não dá nem para discutir! E o diretor foi certeiro e feliz ao escolher o cenário para a casa das crianças peculiares e ao criar os etéreos. Visualmente, o resultado é muito bom. Mas ficou um “vazio” após os 127 minutos sentada na cadeira do cinema. A impressão que tive foi que o filme quis ser um pouco de tudo (drama, romance, comédia, aventura, ação) e, no fim das contas, não “deu liga”.

 

etereo
E para finalizar, um etéreo!

Principais diferenças entre o filme e o livro

Tim Burton e Jane Goldman fizeram algumas alterações drásticas em sua adaptação. Abaixo, estão listadas as principais (e polêmicas) diferenças do livro para as telas:

  • No livro, a peculiaridade de Emma não é levitar, e sim produzir fogo com as mãos. No filme, esta é a peculiaridade de Olive.
  • A aparência de vários personagens foi alterada de adolescentes para crianças e vice-versa. Por exemplo: no livro, Olive é apenas uma criança enquanto Bronwyn, Fiona e Hugh são adolescentes.
  • No livro, os acólitos e etéreos não se alimentam apenas dos olhos de peculiares – eles se alimentam dos peculiares em si. Além disso, não há um “líder” dos acólitos como no filme (Sr. Barron).
  • Na obra original, os etéreos não são capazes de entrar em fendas do tempo.

Ficha Técnica

Título original: Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children

Gênero: Fantasia/Aventura

Lançamento: 2016

Adaptação: Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children (Ransom Riggs)

Diretor: Tim Burton

Roteirista: Jane Goldman

País de origem: Estados Unidos

Distribuição: 20th Century Fox

Duração: 127 min.

Ritmo: 10 exp. O filme não flui de forma natural e contínua. Como já mencionado, há algumas quebras entre cenas, na minha opinião, muito marcadas.

Personagens: 10 exp. Assim como no livro, os personagens poderiam ter sido explorados e trabalhados melhor. Porém, tirei pontos a mais pela atuação do elenco, bem regular.

Qualidade da plot: 12 exp. Os grandes pontos fortes da trama não foram explorados no filme: o relacionamento de Jake com o avô foi tratado de forma muito superficial e as fotografias antigas, grande potencial da obra original, tem um papel muito secundário.

Cuidado com os detalhes: 18 exp. Nesse quesito, Tim Burton não decepciona com os efeitos visuais e com a preocupação em retratar os personagens e os cenários. Os detalhes dos figurinos, ambientes e dos etéreos chamam bastante a atenção.

Empatia com o telespectador: 12 exp. O caos e sobreposição de passagens dramáticas, infantis, engraçadas e de aventura deixam o telespectador muito confuso.

 

2 Comments

  • tiemi

    Concordo que o filme não empolgou justamente por eu não ter lido o livro e consequentemente não ter tomado nenhum spoiller. Considerando que não é o meu gênero favorito, admiro o trabalho de Tim Burton, não julgo o filme, mesmo porque não sou o público alvo. Roteiro fraco, construção dos personagens idem, entendo que 127 min seja pouco para tanto. Compensou sim no visual e fotografia.
    Enfim, valeu pagar o ingresso e passar uns minutos de deleite afinal de contas, cinema é acima de tudo, entretenimento.

    • Juliana Yendo

      Pelo menos, valeu a entrada-promoção na sessão VIP e as guloseimas, hahaha! Falou tudo, tia, cinema é, acima de tudo, entretenimento! 🙂
      Obrigada pelo comentário!!

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