Narcos

Gustavo Ferratti

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Depois do grande sucesso de Breaking Bad, que explorou a temática do universo das drogas (metanfetamina) de forma acessível e popular, o Netflix investiu pesado na produção de Narcos. A série conta a história do império da cocaína criado na América do Sul, mas com um diferencial MUITO relevante: embasamento em fatos reais. Apesar da licença poética, Narcos “fez muito bem seu dever de casa” investigando artigos, entrevistando participantes dos eventos relatados, coletando reportagens, caprichando no figurino e recebendo ajuda de agentes influentes na história da transformação política na Colômbia. Javier Peña, por exemplo, é um dos personagens representados que assessorou a equipe de produção com toda sua experiência de agente do DEA. Estamos falando aqui, senhoras e senhores, dos grandes envolvidos na história do maior narcotraficante do mundo nos anos 80: Pablo Escobar.

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Elenco de Narcos

 


Ficha Técnica

Título original: Narcos

Gênero: Ação/Policial/Crime/Drama

Lançamento: Agosto 2015 (1ª Temp), 02/09/2016 (2ª Temp)

Criador(es): Chris Brancato Carlo Bernard Doug Miro

Produtor(es):  Paul Eckstein, Mariano Carranco, Tim King, Lorenzo O’Brien.

País de Origem: Estados Unidos

Duração: 43 a 57 minutos/episódio

Plataforma: Netflix


Sobre a Série

Narcos não é uma série leve para assistir com seus avós em uma tarde de domingo. És pesada como plomo, mi amigo. Com cenas de sexo, violência e palavrões à vontade (malparido e muitos outros), a direção não teve medo de “mostrar sem suavizar”. Ao mesmo tempo é muito informativa (veja a seção “Mito X Realidade”). Digo isso, pois em quase todos os momentos em que pensava estar sendo enganado, o Google me surpreendia.

A parte de imagem e som é fantástica. Músicas latinas que nos fazem sentir em casa, efeitos especiais muito bem feitos, vistas aéreas de cair o queixo e uma ambientação que nos leva de volta aos anos 80/90 (na América do Sul, não confunda com os 80’s de Stranger Things =X). Mas como nem tudo é perfeito, fica a ressalva para a “puxação de saco” estadunidense. Na perspectiva norte-americana, tudo o que fazem é para o bem maior, atos heroicos e livre de interesses (sei).

Destaco que fica difícil dizer quem é o protagonista da série: o policial Murphy (resoluto narrador) ou o traficante Pablo Escobar. Peguei-me torcendo para ambos ao longo do seriado! Parece um absurdo torcer para Escobar, mas ao mesmo tempo que ele é um criminoso ambicioso e ditador de sangue frio, é extremamente apegado à família e popular entre os pobres por ter “um grande coração”. A série também tenta explorar esse outro lado das relações afetivas de Escobar.

Não é só o meu bigodinho que é safado
Não é só o meu bigodinho que é safado

Mito VS Realidade

Galera, seguinte: pensei em colocar spoiler alert, mas como estamos falando de uma história em formato documentário, acho que a experiência não será comprometida com o conhecimento dos fatos. Tranquilito?  Se não souber nada de Escobar e quiser continuar assim até assistir o seriado, pode pular a seção e ir direto para “Orgulho Patriótico”. Empezando: É muito bizarro pensar que grande parte das coisas mostradas no seriado é verdadeira! Quando você começa a desconfiar da “forçação de barra”, eles “cortam para a foto real”, te deixando de “queixo caído”. Vamos a alguns exemplos:

Civil morta por bomba explodida em Bogotá uma semana antes das voltas às aulas. Uma retaliação de Pablo Escobar à aliança narcotraficante Los Pepes.
Civil morta por bomba explodida em Bogotá uma semana antes das voltas às aulas. Uma retaliação de Pablo Escobar à aliança narcotraficante Los Pepes

 

Destruição do Jornal El Espectador que fez propaganda negativa de Escobar
Destruição do Jornal El Espectador que fez propaganda negativa de Escobar

 

 

La Catedral – a prisão de Escobar com bar, TV de 60 polegadas, campo de futebol, hidromassagem e lareira.
La Catedral – a prisão de Escobar com bar, TV de 60 polegadas, campo de futebol, hidromassagem e lareira

 

Pablo Escobar morto no telhado de um subúrbio de Medelín
Pablo Escobar morto no telhado de um subúrbio de Medelín

Escobar foi, de fato, um gênio do crime que queria se tornar um milionário antes dos 23 anos de idade (e conseguiu). O M-19, movimento comunista para “libertação” da Colômbia, roubou, de fato, a espada de Simon Bolivar do museu para popularizar o grupo. O dinheiro arrecadado com drogas era, de fato, tão grande que permitiu Escobar entrar para a lista de bilionários da Forbes por 7 anos consecutivos. A história é tão nojenta quanto pensamos, amigos leitores. Redes de farmácia, empresas de táxi, times de futebol – tudo para lavar dinheiro no império da cocaína! Chega ao ponto de não terem como esconder tanto dinheiro que escondem e o enterram, contratando um tal de “Barba Negra” para mapear tudo o que escondem. Em entrevista com o irmão de Pablo, Roberto Escobar afirma que 10% da fortuna era perdida todo ano por umidade e mordidas de rato nos seus depósitos secretos (link). Dá para acreditar? Isso equivale a 2,1 bilhões de dólares/ano!

Sim, nem tudo é real. Não se sabe ao certo se a espada de Bolivar foi devolvida a Escobar, se Escobar tinha o sonho de se candidatar a presidente e foi atrás dos políticos ou os políticos vieram procura-lo e se, de fato, o mandato presidencial de Escobar foi inibido publicamente na câmara ou por meio de jornais. Contudo, para mim isso são detalhes, já que o grosso da história é tão impressionante quanto parece.


Orgulho Patriótico

Soy el fuego que arde tu piel
Soy el agua que mata tu sed
El castillo, la torre yo soy
La espada que guarda el caudal

 

Os versos acima são da música Tuyo, a abertura da série composta por Rodrigo Amarante. A música irá grudar como chiclete no seu cérebro logo nos primeiros episódios, mas se quiser assistir a abertura e antecipar a experiência, é só clicar aqui. Observando que a abertura tem vários documentos reais que comprovam minha argumentação na sessão anterior.

Pera aí! Rodrigo Amarante? Eu já ouvi esse nome… Muito provavelmente, sim. Estamos falando do mesmo carioca das bandas brasileiras Los Hermanos e Little Joy. Pois é! Fiquei muito feliz ao descobrir isso há quase dois minutos. Não bastasse a MEGA atuação de nosso querido baiano Wagner Moura (que, diga-se de passagem, engordou 20 kg e se mudou para Medellin com meses de antecedência para total imersão no papel e aprendizado do espanhol), ainda tivemos mais um brasileiro por trás da trilha sonora da série. Apesar de falarmos muito mal do Brasil, nessas horas bate aquele baita orgulho patriótico, né não?

 

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Wagner Moura – Orgulho Patriótico

Ritmo: 16 exp. A história é muito bem bolada. Pelo seu caráter informativo, faz naturalmente o telespectador querer ficar assistindo mais. Contudo, em alguns episódios específicos possui algumas “quebras” na ação para falar da família de Escobar e outros assuntos secundários. Isso pode evitar que você assista tudo “em uma sentada”.

Personagens: 20 exp. Fantástica atuação de Wagner Moura e da maioria do elenco. Tirando alguns personagens inventados, a maior parte realmente existiu e é popular, o que torna a representação uma tarefa árdua para os atores.

Qualidade da plot: 20 exp. Trama fantástica. Tanto para quem gosta de perseguições policiais acaloradas, quanto para entender melhor a história do império narcótico sul-americano.

Cuidado com os detalhes: 20 exp. Com base em tudo que falei no texto, acho que dispensa comentários. Dificilmente existe esse nível de exigência e preocupação com a realidade em um seriado (mesmo que baseado em fatos reais).

Empatia com o telespectador: 17 exp. Músicas latinas, protagonista brasileiro, fatos reais com os nossos vizinhos. A série vai mexer muito contigo. Não garanto o bom aproveitamento de pessoas sensíveis e que não gostem do gênero policial.

 

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