Luke Cage

Juliana Yendo

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Luke Cage é uma série que está dando o que falar ultimamente. Com pouco mais de duas semanas no ar, a mais nova obra da Netflix em parceria com a Marvel Televisions e ABC Studios está sendo muito bem aceita pelo público e recebendo feedbacks positivos dos críticos. E não é pra menos: a série aborda temas densos e profundos com personagens muito bem trabalhados – e tudo isso acompanhado de um cenário interessante e uma trilha sonora f-a-n-t-á-s-t-i-c-a!

O arco temporal da história se passa alguns meses após o ocorrido na série Jessica Jones, personagem homônima que vive em Hell’s Kitchen e teve um relacionamento próximo com Luke. Para entender a série Luke Cage, não é necessário ter assistido às outras duas produções da parceria Marvel e Netflix (Demolidor e Jessica Jones). Algumas referências a essas duas séries são feitas ao longo dos episódios, mas tudo de forma breve e sem comprometer o entendimento da trama – obviamente, quem acompanhou os outros dois seriados vai conseguir identificar os easter eggs e as referências aos personagens.

Com um total de 13 episódios, assim como Demolidor e Jessica Jones, Luke Cage conta a história do herói que possui a pele indestrutível e uma força descomunal. Sua primeira aparição foi em Jessica Jones e o herói irá retornar na série Os Defensores, junto à Jessica, Matt (a.k.a. Demolidor) e Danny (a.k.a. Punho de Ferro). Punho de Ferro é a próxima série da franquia a estrear na Netflix (março de 2017).

 

Da esquerda para a direita, os Defensores: Charlie Cox (Matt Murdock), Krysten Ritter (Jessica Jones), Mike Colter (Luke Cage) e Finn Jones (Danny Rand).

Ficha Técnica

Título original: Luke Cage

Gênero: Ação/Drama/Herói

Lançamento: 30 de setembro de 2016

Criador: Cheo Hodari Coker

País de origem: Estados Unidos

Duração: 46 – 65 min.

Nº de episódios: 13

Nº de temporadas: 1

Plataforma: Netflix 


História

Após deixar Hell’s Kitchen, Luke segue para Harlem, cenário principal da trama. O Harlem é um bairro nova-iorquino situado na região alta de Manhattan, conhecido por ser um grande centro cultural da comunidade negra norte-americana. Com o intuito de levar uma vida discreta e reservada, Luke procura ficar distante de qualquer confusão ou situação que o deixe exposto (mas só pelo seu porte físico, é praticamente impossível ele passar despercebido – haha). Luke é bastante relutante em “aceitar” seus poderes e utilizá-los para um bem maior. Pop, um grande amigo e uma importante figura no bairro, é uma das pessoas que encorajam o protagonista a fazer bom uso de suas habilidades e ajudar as pessoas.

 

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“Never backward, always forward. Always.”

 

A rotina e o anonimato de Luke não duram muito tempo: uma série de incidentes e acontecimentos o forçam a sair das sombras e utilizar suas habilidades especiais. Pouco a pouco, seu rosto e seu nome ficam conhecidos por todo o Harlem. Sua popularidade divide opiniões: alguns o veem como uma figura boa para o bairro, outros como uma ameaça.

A série é muito feliz ao tecer uma trama realista com uma consciência social bastante madura e profunda. Temas densos, como a corrupção policial, o sistema político fraudulento e a impunidade, trazem uma complexidade e um significado que deixam o enredo mais interessante e consolidado. Apesar de se tratar de um filme de super-heróis, vemos uma história mais “pé no chão”, com vilões que poderiam muito bem ter saído do mundo real.

A ambientação de Luke Cage no contexto atual é muito bem feita, tanto pelo figurino como pelos locais em que se passam as cenas. Luke, assim como Jessica Jones, não utiliza uma roupa especial de super-herói e uma máscara para entrar em ação. Suas roupas são casuais e os moletons com capuz são sua marca registrada – na maior parte das vezes, seu “modelito” é acompanhado de inúmeros furos causados por balas disparadas contra ele.

 

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Sweet Christmas! Haja moleton, heim, Cage?!

 

Luke Cage não teve medo em ousar ao expor problemas atuais e abordar questões polêmicas. Além dessa carga social e política, a série faz inúmeras referências à cultura local e personalidades que por ali passaram, prestando uma grande homenagem ao Harlem. A música é um elemento vivo na história: é impossível não notar a grande qualidade e o capricho da trilha sonora. Todos esses elementos positivos da trama são enaltecidos pela excelente atuação do elenco.


Personagens

Em Luke Cage, os personagens são muito bem trabalhados, visualmente e psicologicamente. De um modo geral, achei que a atuação do elenco teve um resultado muito positivo. Muito difícil criar empatia com apenas um personagem. Outro ponto muito bom é a abordagem das relações entre os personagens: nenhuma é feita de forma rasa ou superficial. Somos envolvidos e cativados constantemente. Abaixo, confira um resumo dos principais personagens da trama:

 

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Luke Cage (ator: Mike Colter)
Seu verdadeiro nome é Carl Lucas. Suas habilidades, pele impenetrável e força excepcional, contrastam com sua personalidade. Luke é uma pessoa sensível e carismática, com um grande senso de justiça e uma certa “breguisse”: o personagem usa constantemente expressões como “Sweet Christmas” e “Holy sister”, que, entre outras, o fazem ganhar o título de “cheesy” (brega).

 

 

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Reva Connors (atriz: Parisa Fitz-Henley)
Reva é a falecida esposa de Cage. Reva era psicóloga em uma prisão e, durante a vida, escondeu muitos segredos de Luke.

 

 


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Pop (ator: Frankie Faison)
Henry Hunter (a.k.a. Pop) é o dono da barbearia em que Luke trabalha. É uma figura paterna tanto para Luke como para a comunidade em que vivem.

 

 

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Misty (atriz: Simone Missick)
Mercedes Knight (prefere ser chamada de Misty) é uma detetive com um grande senso de justiça. Possui a “habilidade visual” de deduzir o que poderia ter acontecido na cena do crime apenas pelas fotografias.

 

 

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Claire Temple (atriz: Rosario Dawson)
Claire Temple é uma enfermeira que parece estar sempre no lugar certo e na hora certa. A personagem costumava trabalhar em Hell’s Kitchen: apareceu primeiramente em Demolidor e, depois, em Jessica Jones. Em Luke Cage, Claire ganha bastante destaque na trama. Ela se torna uma figura importante na vida de Luke e ajuda o personagem em diversos momentos da série.

 

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Soledad Temple (atriz: Sônia Braga)
Soledad é a mãe de Claire. Ela tem um café no Harlem, local em que Luke e Claire se reencontram (eles se conheceram em Jessica Jones). A personagem é interpretada por uma atriz brasileira!

 

 

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Cornell Stokes (ator: Mahershala Ali)
Cornell Stokes, mais conhecido como Cottonmouth (ou “Boca de algodão”), é o dono da casa noturna Harlem’s Paradise. Primo de Mariah, ambos cresceram sob o mesmo teto aos cuidados de Mama Mabel, principal responsável por “desvirtuar” o caminho de Cornell. Ele é uma peça-chave dentro do tráfico de armas no Harlem, onde possui um grande poder e influência.

 

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Mariah Dillard (atriz: Alfre Woodard)
Mariah é uma figura política local. Prima de Stokes, a personagem passa por acontecimentos que mudam radicalmente sua postura e evidenciam um lado sombrio que nem ela mesma conhecia.

 

 

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Shades (ator: Theo Rossi)
Shades é um dos capangas de Diamondback. Sua marca registrada são os óculos escuros, que utiliza em praticamente toda a série. É um personagem sagaz, manipulador e “liso”.

 

 

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Willis Stryker (ator: Erik LaRay Harvey)
Willis Stryker, conhecido como Diamondback (ou “Kid Cascavel”), é um poderoso traficante de armas. É um personagem extremamente perigoso e perturbado. Possui um passado com Luke Cage, que, para Stryker, é sinônimo de muita mágoa e ressentimento.

 

 


Trilha Sonora

É impossível falar de Luke Cage e não mencionar sua trilha sonora incrível! A música é um dos elementos mais fortes da série, ela marca a trama do começo ao fim. A começar pelo nome dos episódios: todos, sem exceção, são títulos de músicas do grupo de hip-hop Gang Starr, conhecido por combinar elementos de jazz com hip-hop.

Além do hip-hop, outros estilos musicais assinalam o enredo. Harlem’s Paradise, a casa noturna de Cottonmouth, é (literalmente) palco dos melhores momentos musicais da série. As performances das bandas e cantores enriquecem o cenário e todo o tributo à cultura black. Após terminar de ver a série, parece ser totalmente inevitável querer ouvir as músicas que colorem a trama.

Se você também ficou com essa sensação, anote esses nomes e faça uma playlist imediatamente no Spotify: Rapheal Saadiq, Faith Evans, Charles Bradley, Jidenna, Sharon Jones And The Dap-Kings.

Se você ainda não assistiu à série e não está entendendo esse “auê” todo, não perca tempo e faça sua maratona Luke Cage o quanto antes! Confira uma das músicas de Rapheal Saadiq, um dos cantores que mais gostei, que teve sua aparição logo no primeiro episódio:


Bônus: Easter Eggs

E para finalizar a resenha, alguns easter eggs:

  • No quinto episódio, Dapper Dan (em pessoa) aparece e faz um terno sob medida para Cage (obviamente, o terno não durou muito tempo devido aos tiros, mas okay). Dapper Dan (nome verdadeiro: Daniel Day) é um famoso alfaiate do Harlem, que teve personalidades famosas, como Mike Tyson, e astros do hip-hop, como LL Cool J, como clientes.

 

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Dapper Dan e Mike Colter
  • No quarto episódio, foi feita uma menção ao traje original dos quadrinhos do personagem Luke Cage: camisa amarela, “tiara”, calça azul e as correntes. A referência foi brilhante dentro do contexto que foi inserida!

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  • No último episódio, é feito um link com a próxima série da franquia (Punho de Ferro), quando Claire pega o contato de um local para treinamento em autodefesa e artes marciais. No final do cartaz, é possível ler “Colleen Wing”, personagem que faz parte do universo Marvel e irá aparecer em Punho de Ferro.

 

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“Colleen Wing”

 

  • Claire diz várias vezes a Luke que conhece “um bom advogado na cidade”, referência direta à Matt Murdock (a.k.a. Demolidor). No final da série, parece que Luke realmente vai precisar desse bom advogado.
  • Stan Lee teve sua aparição no penúltimo episódio, em um cartaz colado na fachada de uma loja de conveniência.

 

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“See a crime? Report it!”

Ritmo: 15 exp. O início da série pode parecer meio “paradona” ou “arrastada”. Particularmente, o ritmo não foi um quesito que me incomodou, mas talvez seja um ponto fraco da série: não dá pra negar que as coisas realmente começam a acontecer do meio para o final, quando fica impossível não querer ver todos os episódios de uma vez só!

Personagens: 20 exp. Na minha opinião, a construção dos personagens é um dos pontos mais fortes da trama. A complexidade e a profundidade estão presentes no desenvolvimento de cada personagem, desde Cage até os vilões (Cottonmouth, Mariah e Diamondback) e os personagens secundários (Misty e Claire). Psicologicamente, todos são muito bem trabalhados e os relacionamentos são igualmente muito bem retratados.

Qualidade da plot: 20 exp. A trama é muito bem ambientada na realidade em que se insere e trata de assuntos muito profundos e densos. Achei tudo bem dosado, mas com a presença de alguns clichês, que são perdoados pelo capricho em representar os personagens e as relações entre eles. Alguns talvez reclamem da falta de cenas de ação/luta de tirar o fôlego, mas, para mim, isso é compensado de outras formas.

Cuidado com os detalhes: 20 exp. O que falar do cuidado da produção em relação ao cenário, à trilha sonora e aos easter eggs? Sensacional!

Empatia com o telespectador: 20 exp. Como não simpatizar com Luke Cage? É muito difícil o telespectador não criar empatia com o protagonista ou com os demais personagens da trama (Claire e Misty <3), inclusive os vilões (Cottonmouth).

 

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