Black Mirror

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Gustavo Ferratti

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E se…

em um futuro não muito distante, a tecnologia provocasse efeitos catastróficos na sociedade? Achamos “o máximo” o empoderamento do indivíduo pelas redes sociais, o livre acesso a qualquer tipo de conteúdo e as frequentes revoluções tecnológicas. No entanto, já paramos para pensar no impacto do que defendemos a longo prazo? Black Mirror é um “tapa na cara” da sociedade contemporânea, servindo para refletirmos e filosofarmos sobre como o avanço a todo o custo pode estilhaçar aquilo que temos de mais precioso: nossa humanidade.


Ficha Técnica

Título original: Black Mirror

Gênero: Suspense, Ficção Científica.

Lançamento: 2011 (1ª Temporada), 2013 (2ª Temporada), 2014 (Especial de Natal), 2016 (3ª Temporada)

Criador: Charlie Brooker

Temporadas: 3

País de origem: Reino Unido

Duração média: 45 – 90 min

Emissora: Zeppotron (original)/ Channel 4

Plataforma: Netflix


Descrição Geral

Black Mirror é uma minissérie britânica composta por um conjunto de teorias da conspiração focadas na tecno-paranoia. Cada episódio possui um elenco, um cenário, uma história e uma realidade totalmente diferente. O fato de ser uma antologia de contos faz com que o telespectador não saiba exatamente o que esperar no episódio seguinte, tornando o “elemento surpresa” um dos pontos mais fortes da série. Apesar de todo episódio possuir alguma tecnologia disruptiva (que revoluciona a forma com que as pessoas se comportam), os temas são bastante variados e podem englobar política, jogos, redes sociais, militarismo, sistema carcerário, entre muitas outras coisas.

O nome Black Mirror (“espelho negro” em tradução livre do Inglês) é definido pelo criador da série seguinte forma:

“ … é algo que você encontrará em todas as paredes, todas as mesas, na palma de toda mão: a fria e brilhante tela de uma TV, um monitor ou um smartphone.”

Charlie Brooker – Criador da série

A abertura da série, com a tela trincando, reforça o argumento do criador e deixa bastante evidente sua metáfora.


Preview por Episódio

Como já dito, Black Mirror é uma antologia de contos com temas bem variados. Alguns episódios podem interessar mais um público-alvo específico, outros nem tanto. Marquei com asteriscos (***) os episódios que considerei mais marcantes em cada temporada em minha singela opinião. Sugeriria que o leitor começasse a assistir a série por eles para ter uma experiência intensa e memorável =]


Temporada 1

 

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Episódio 1: The National Anthem/Hino Nacional 
Com um foco bastante político, o episódio gira em torno do primeiro ministro da Inglaterra, Michael Callow. A princesa Susannah foi raptada por um grupo anarquista, que intima o primeiro ministro a fazer uma obscenidade em nível nacional se não quiser ver a princesa morta.

 

 

 

 

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Episódio 2: Fifteen Million Merits/Quinze Milhões de Méritos

Em uma sociedade onde os proletários pedalam dia após dia em bicicletas para gerar energia que alimente seus dispositivos tecnológicos, a moeda é virtual e toda a interação social ocorre online. Um jovem aposta todo o seu dinheiro na única experiência que acredita ser real, mas é surpreendido pela podridão do sistema em que está inserido.

 

 

 

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***Episódio 3: The Entire History of You/Toda a sua História

Em um futuro não muito distante, todos tem acesso a uma lente de contato que, conectada a um dispositivo atrás do pescoço, permite que as pessoas armazenem e reproduzam tudo o que já vivenciaram em formato de vídeo. A pergunta é: até que ponto é bom termos todas as nossas memórias acessíveis a todo o tempo?

 

 

 


Temporada 2

 

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Episódio 1: Be Right Back/Volto Já

Martha perde seu marido em um acidente de carro e, inconformada, assina um serviço capaz de colocá-la em contato com a memória do seu falecido marido. Primeiro são só mensagens de texto baseadas no seus posts das redes sociais… Até que tudo fica BEM mais sério.

 

 

 

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Episódio 2: White Bear/Urso Branco

Victoria acorda após ser dopada em um local desconhecido. Todas as pessoas com que ela tenta se comunicar estão “hipnotizadas”por seus aparelhos celulares e não interagem com ela. E aqueles que interagem querem matá-la a todo o custo.

 

 

 

 

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***Episódio 3: The Waldo Moment/Momento Waldo

Um comediante fracassado interpreta o papel de Waldo, um urso cartunesco que faz sátiras políticas. Em momento de campanha eleitoral, suas piadas ganham destaque e surge a ideia de candidatar Waldo para presidente. E não é que a brincadeira começa a se tornar realidade?

 

 

 

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***Especial de Natal

Dois homens em uma cabana isolada no meio da neve contam histórias sobre o seu passado obscuro. Inventos tecnológicos já mostrados em outros episódios são resgatados (como as lentes de contato high-tech da primeira temporada) e novos são apresentados (como um banco de memórias e automação residencial de último nível). Desfecho surpreendente.

 

 


Temporada 3

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Episódio 1: Nosedive/Queda Livre

Bryce Dallas é uma mulher de classe média obstinada em ser uma pessoa bem sucedida na vida. Em uma sociedade onde redes sociais estabelecem rankings de 1 a 5 estrelas para pessoas (e você só consegue certos privilégios a partir da sua colocação), Bryce fará de tudo para a sua imagem ser imaculada.

 

 

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Episódio 2: Playtest/Versão de Testes

Jogos em realidade aumentada já estão se tornando uma realidade nos dias de hoje… Mas se os impulsos do nosso cérebro pudessem ser capturados para oferecer uma experiência ainda mais intensa?

 

 

 

 

 

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Episódio 3: Shut up and Dance/Manda Quem Pode

Quando hackers black-hat monitoram sua webcam e conversas privadas, eles ganham muito poder de barganha para chantageá-lo e conseguir o que querem. O quão longe você iria para para manter um segredo fora da internet?

 

 

 

 

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***Episódio 4: San Junipero

Em um futuro onde pessoas podem escolher a época em que desejam viver (em um ambiente virtual por meio de óculos de realidade aumentada), duas garotas se encontram em San Junipero, uma cidade de muitas festas e atmosfera retrô anos 80. Apesar de parecer clichê, assuntos como eutanasia, homossexualidade e cloudcomputing são tratados no episódio. Vale a pena.

 

 

 

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***Episódio 5: Men Against Fire/Engenharia Reversa

Um soldado recém-recrutado luta contra monstros bestiais de forma prodigiosa utilizando dispositivos hight-tech. Mas um desses monstros, usa uma tecnologia desconhecida, que faz com que tais dispositivos passem a funcionar de forma inesperada. Às vezes, falhas técnicas podem revelar segredos surpreendentes.

 

 

 

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***Episódio 6: Hated in the Nation/Odiados pela Nação

Abelhas drones, comentários desejando mortes em redes sociais, suicídios, crimes inexplicáveis… O que todos esses elementos podem ter em comum? Uma detetive e sua assistente especializada em tecnologia devem descobrir.

 

 


Impressões Pessoais

Particularmente, adorei a série. A relação ser humano X tecnologia é explorada de forma totalmente inovadora, a trilha sonora é muito boa e os desfechos de cada episódio são de “cair o queixo” (literalmente, me peguei várias vezes com a boca aberta). Salvo um ou outro episódio que não me identifiquei muito pela temática ou elenco específico (o que é natural, pela heterogeneidade de contos), a série cativa, prende a atenção e faz o telespectador ficar com aquele gostinho de “quero mais” no final de cada episódio. Netflix, os US$ 40 milhões para os direitos da série foram muito bem investidos.

Ritmo: 15 exp. Se você for um aficionado por tecnologia, irá querer assistir tudo de uma só vez para descobrir as invenções tecnológicas! No entanto, as histórias podem ser bastante perturbadoras e levam algum tempo para serem digeridas.

Personagens: 12 exp. Como o elenco varia em cada episódio, as atuações podem ser espetaculares, boas ou medianas. Sendo assim, pode rolar muita, pouca ou nenhuma afeição pelos personagens. O episódio tão aclamado pela mídia, Nosediving, foi o que menos gostei pela atuação estilo As Patricinhas de Beverley Hills da protagonista.

Qualidade da plot: 18 exp. Todos os desfechos possuem um elemento surpresa que conseguem surpreender o telespectador. Episódios milimetricamente calculados, com uma preocupação muito grande nas revoluções que uma tecnologia pode acarretar no comportamento social. É de “cair o queixo” (literalmente).

Cuidado com os detalhes: 20 exp. Dispositivos tecnológicos muito bem pensados, bem como repercussões políticas, impactos amorosos, repercussões no sistema carcerário… o criador não pensou um episódio por vez para fazer a antologia, mas um universo foi criado e várias perspectivas dentro dele.

Empatia com o telespectador: 18 exp. Pela grande heterogeneidade dos episódios, acho impossível alguém não encontrar pelo menos um episódio com uma temática que se identifique. No entanto, confesso que alguns episódios podem ser bem perturbadores.

2 Comments

  • Caian Camillo

    Muito boa essa resenha, gostei muito.. Vou compartilhar e ver quantas estrelas eu ganho com isso.. VEM 4.5!!!

  • Daniele Didoni

    Nossa, comecei assistindo a temporada 3 inteira!! kkkkk nem tinha percebido, vcs me salvaram!! Se não tivesse visto isso aqui, não ia saber que tem a temp 1 e 2 ainda =P sauhsuahsuasu
    Vou logo dizendo que gostei da série e a resenha tá de parabéns!!!! rsrs

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