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Juliana Yendo

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Fazia um bom tempo que eu não assistia a animes e a última vez que tentei escolher um título para maratonar não funcionou muito bem. Procurei alguns que estavam com o hype bem alto no ano passado, mas por algum motivo, não me prenderam a atenção e eu não consegui ver mais do que dois episódios. Os “tipos” clichês dos personagens, as mesmas piadinhas, os temas que tentam ser originais e geram expectativa, porém resultam em um enredo raso e previsível (fora as vozes irritantes das personagens femininas)… tudo isso me desencantou. Simplesmente não estava dando mais, até pensei “Minha fase de animes já passou…”. Mas eis que me deparo com Erased e descubro que estava completamente enganada.


Ficha Técnica

Título Original: Boku Dake ga Inai Machi (僕だけがいない街)

Gênero: Seinen

Lançamento: janeiro/2016

Criador: Kei Sanbe

Diretor: Tomohiko Itō

Produtores: Kenta Suzuki e Taku Matsuo

Estúdio: A-1 Pictures

Duração média: 20 min.

Nº episódios: 12

Nº temporadas: 1


Erased, no original, Boku Dake ga Inai Machi (traduzido como “A cidade onde só eu não existo”), consegue nos conquistar já na abertura, com a música Re:Re do Asian Kung-Fu Generation. Se você pensou “Nossa, esse anime tem um opening do AKFG, então não deve ser pouca coisa!”, você acertou! Sim, essa primeira impressão é verdadeira e estamos diante de uma série que vale a pena ser vista.

 

 

A história tem como cenário a cidade de Chiba no ano de 2006 e é contata pelo protagonista Satoru Fujinuma, um rapaz de 29 anos aspirante a mangaká. Satoru vive sozinho e trabalha como entregador de pizza para se sustentar. É uma pessoa reclusa e introspectiva, que evita ao máximo confrontar suas emoções e sentimentos.

 

“Eu estou com medo. Eu tenho medo de entrar no meu próprio coração.”

 

Apesar de levar sua vida “no automático”, alheio aos seus conflitos internos e ao relacionamento com as pessoas ao seu redor, Satoru vivencia com frequência um fenômeno curioso que ele próprio denomina de revival. Quando um revival acontece, Satoru volta no tempo (entre 1 e 5 minutos) antes de algo muito ruim se suceder. Todas as vezes que esse fenômeno ocorre, Satoru se envolve no incidente, mesmo que isso implique em consequências ruins para ele mesmo. Por exemplo: no primeiro episódio, ele consegue evitar um acidente de trânsito, mas acaba se ferindo gravemente.

 

O aparecimento de uma borboleta azul é um aviso de que um revival está prestes a acontecer.

 

O enredo se desenrola a partir de uma tragédia que fez parte da vida escolar de Satoru: quando estava na 5ª série, dois de seus colegas de sala foram sequestrados e assassinados, mas o criminoso nunca foi encontrado. Na época, a mãe de Satoru fez o que pôde para que o filho esquecesse este episódio triste. Muita coisa relacionada àquele período de sua infância havia sido esquecida pelo rapaz. Porém, após um episódio fatal diretamente relacionado com a tragédia ocorrida em sua infância, Satoru vivencia um revival bem diferente dos que está acostumado: ele volta no tempo exatamente na época em que a tragédia envolvendo as crianças ocorrera – 18 anos atrás, durante a 5ª série do fundamental em Hokkaido. Por que motivo esse revival ocorreu anos atrás e não alguns minutos? Seria mera coincidência ele voltar exatamente a esta época? Seria uma segunda chance para tentar mudar o presente de alguma forma?

 

Um dos pontos mais interessantes é acompanhar o crescimento do protagonista junto dele mesmo. Vemos o Satoru de 29 anos no corpo do Satoru de 11 anos, que apesar de ser adulto, possui seu lado emocional e afetivo estagnado no tempo. Os “dois Satorus” confrontam e desenvolvem isso, o que resulta em um melhor relacionamento com as pessoas ao seu redor. Boa parte da narrativa do anime é construída por meio dos pensamentos e reflexões de Satoru, o que traz densidade e profundidade à história.

Com um total de 12 episódios, Erased não peca por excesso nem por escassez: o enredo é muito bem construído, sem enrolação e com uma ótima qualidade. Ao terminar de assistir à série, temos a sensação de uma história “redondinha”, sem pontas soltas, que cumpriu bem o que se propôs fazer. A única ressalva fica para alguns detalhes que não são muito explorados na história e geram a curiosidade do telespectador, como mais informações sobre o pai de Satoru. Mas nada disso compromete o valor da série. Recomendo este anime para todos, principalmente para aqueles que acreditam que sua fase de animes já passou.

Ritmo: 18 exp. Por se tratar de um anime enxuto, com 12 episódios bem estruturados e conectados entre si, o ritmo é bastante fluido. É possível assistir à temporada completa em uma “sentada” facilmente.

Personagens: 16 exp. Apesar de ser um anime bem curto e de existir uma série de personagens na história, a construção desses personagens é bem feita e inserida no enredo. Não vemos personagens tipicamente comuns de animes do tipo shounen ou shoujo, mas personagens mais maduros, explorados além dos estereótipos.

Qualidade da plot: 20 exp. Erased nos mostra que é possível partir de temas triviais, como viagem no tempo e investigação de casos não solucionados pela polícia, criar um enredo completamente diferente e original. O resultado é uma história de peso, que envolve o telespectador já no episódio piloto.

Cuidado com os detalhes: 18 exp. A preocupação e o cuidado com o desenho (traço e cor) não estão explícitos somente nos protagonistas, mas também nos personagens secundários, nos cenários e objetos que compõe as cenas. Um destaque especial à opening, muito bem concebida – é uma síntese muito boa da história (com algumas metáforas), vale a pena rever depois de assistir a todos os episódios.

Empatia com o telespectador: 18 exp. A história é de fantasia, recheada de suspense, mistério e drama. Por se tratar de um seinen, existem cenas de morte e violência, portanto, tirem as crianças da sala. Essa é a única ressalva, de resto, acredito que pode agradar grande parte do público, inclusive os que não são muito chegados em animes.

 

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