Dora

Juliana Yendo

Juliana Yendo

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Se você conhece Bianca Pinheiro apenas por Bear (clique aqui para ler a resenha), a obra que a tornou conhecida no mundo dos quadrinhos, e acha que o estilo do seu trabalho é sempre colorido, fofo e engraçadinho, tire já essa primeira impressão que você criou. Dora é uma obra completamente diferente, em todos os aspectos possíveis.


Ficha Técnica

Título original: Dora

Autora: Bianca Pinheiro

Gênero: Terror, Sobrenatural

País de origem: Brasil

Lançamento: 2016

Editora: Mino

Edição: 1ª

Volume: único

Preço Médio: R$37 (15/02/2017)


Originalmente, Dora foi lançada como HQ independente por meio de um financiamento coletivo em 2014. Bianca criou e executou tudo em apenas dois meses, exatamente o tempo de duração de sua campanha no Catarse. Em 2016, a Editora Mino adquiriu o título e relançou a obra, fazendo com que a primeira graphic novel de Bianca Pinheiro fosse revivida e encontrada nas principais livrarias do país.

 

Capa original de Dora, em sua versão independente

 

Dividida em 11 capítulos curtos, Dora conta a história de uma garota bem diferente – especial para sua mãe e sinistra para todo o resto. A trama é narrada a partir dos relatos da mãe a um investigador pelo “simples” fato da garota ser acusada de ter matado 15 pessoas. Além das mortes, muitos acontecimentos estranhos circundam a vida da menina, a começar por algumas de suas características: ela não fala, nem chora. Nunca falou, nunca chorou. Seria mera coincidência todos os episódios sombrios que ocorrem à sua volta?

“Er… parabéns, mãe… é… é uma menina.”

 

Bianca é bastante corajosa ao trazer uma história como esta como sua graphic novel inaugural. Ao criar um enredo de terror que parte do ponto de vista da mãe de uma criança conturbada, a quadrinista consegue nos inserir em três perspectivas diferentes: o leitor se coloca no lugar da mãe, do investigador e da própria garota. Esse artificio é, sem dúvidas, um dos pontos mais fortes da obra. Além disso, o estilo da HQ funciona muito bem com a trama: os traços são simples e expressivos, realçados pelo jogo de luz e sombra bem elaborado (o quadrinho é todo em preto e branco).

Graças à Editora Mino, Dora voltou para afirmar ao público a versatilidade, resiliência e talento de sua autora, que consegue nos surpreender em territórios diferentes e justificar a repercussão de seu nome no cenário dos quadrinhos nacional.

Estilo: 14 exp. O traço é simples, porém expressivo e funcional. O que traz um grande valor à arte de Dora é o bom uso da luz e sombra nos desenhos, que destaca ainda mais as cenas e as expressões dos personagens.

Personagens: 12 exp. Trata-se de uma graphic novel curta, portanto, é evidente que os personagens não serão trabalhados em sua totalidade. Ademais, a intenção da história não é explorar os personagens em si, mas mostrar ao leitor como seria a visão de uma mãe de uma criança diferente, rejeitada por todos da pior forma possível.

Qualidade da plot: 15 exp. Apesar de ser uma HQ curta, Dora consegue surpreender. À primeira vista, a história pode parecer simples demais, mas consegue trazer uma densidade interessante, especialmente pela forma como é narrada.

Cuidado com os detalhes: 12 exp. O foco da representação gráfica são os personagens, portanto, cenários e elementos secundários são pouco detalhados. Pontinhos extras pelo easter egg que faz referência à Bear!

Empatia com o leitor: 14 exp. Leitores em busca de uma HQ descontraída não encontrarão uma boa experiência em Dora. Recomendo que leiam a obra tendo em mente que não é uma história para “distrair”. Vale a pena ler para conhecer mais sobre as obras de Bianca Pinheiro e o que está sendo produzido no cenário nacional dos quadrinhos!

 

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