Sheriff Of Nottingham

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Sheriff of Nottingham é uma reimplementação de um jogo brasileiro. Sim, brasileiro. Originalmente, o jogo se chamava Robin Hood e foi descoberto por Tom Vasel, um famoso crítico de board games da empresa The Dice Tower, localizada no estado da Flórida, nos Estados Unidos. Após adorar os mecanismos do jogo, Tom contratou a empresa Arcane Wonders e o jogo foi remodelado, ganhando nova arte e jogabilidade mais polida. Mas, basicamente, a ideia do jogo continua sendo a mesma do antigo Robin Hood.

No jogo, os jogadores alternam seus turnos sendo ora mercadores passando pela entrada da cidade de Nottingham com suas mercadorias e ora o sheriff que deve investigar as caravanas em busca de contrabando. A menos que ele seja convencido à desviar seus olhos, claro.

 

sheriff

 

O jogo é dividido em pequenas fases, descritas na sua ficha de jogador. No início, os jogadores irão olhar as cartas que receberam inicialmente e têm a oportunidade de realizar trocas, descartando algumas e comprando novas, ou das pilhas de descarte ou do baralho. Mas, por que você deve descartar suas mercadorias? Calma, fará sentido mais a frente. Em seguida, os jogadores devem escolher entre 2 a 5 mercadorias (legais ou não) para colocarem dentro de seu saquinho, digo, sua carruagem. Em seguida, todos devem olhar o sheriff nos olhos (sim, isto está nas regras) e declarar o que está trazendo de produtos. Neste momento, algumas regras: não se pode mentir sobre a quantidade de cartas dentro do envelope e deve-se declarar toda a quantidade como sendo de apenas um dos tipos de produtos legais (galinha, pão, queijo ou maçã). Por exemplo, mesmo que o mercador coloque 3 maçãs e 1 besta (ilegal) dentro de seu envelope, ele deve declarar para o sheriff que colocou 4 maçãs, não mentindo na quantidade e utilizando apenas um dos produtos legais. Não podia ter dito que tinha 3 maçãs e 1 pão, mesmo que esse é legal. Após essa fase, o sheriff tem um tempo baseado na quantidade de jogadores para negociar com os mercadores se seus envelopes devem ser abertos e analisados ou não.

Nesse momento, tudo está valendo. Os mercadores podem fazer roleplay e inventar histórias sobre sua origem e seus produtos e tentar convencer o sheriff a deixá-los passar. Eles podem oferecer dinheiro, mercadorias já trazias de outros turnos, favores futuros e até tentar convencê-lo a abrir o envelope de outro jogador que acreditam estar mentindo. Caso aceite a oferta, o envelope do jogador é devolvido e todos os itens que ele colocou são adicionados à sua venda. As mercadorias ilegais são mantidas secretas e deve ser revelado apenas a quantidade delas que cada mercador possui. Caso o sheriff não chegue a nenhum acordo e decida abrir o envelope, seu conteúdo será analisado. Assim, se o mercador foi completamente honesto e há exatamente o que ele declarou, o sheriff deve pagar uma multa para ele, representado o tempo perdido na inspeção. Mas, caso haja qualquer produto diferente do descrito pelo vendedor, mesmo que este seja legal, o mesmo é perdido e a multa agora é paga pelo vendedor.

Por fim, após todos os envelopes serem devidamente abertos ou liberados, o próximo jogador se torna sheriff e os mesmo passos são seguidos. O jogo acaba quando todos os jogadores forem sheriff um determinado número de vezes e ganha o jogador com mais dinheiro após a contabilização de todos os produtos.

Assim, o foco do jogo está no momento da discussão, quando os jogadores podem inventar histórias sobre suas famílias e o porquê deles estarem entrando no reino com tantas maçãs, convencendo o ganancioso sheriff de que não há nada de suspeito dentro de suas carroças. O interessante do jogo está nas diferentes estratégias. Pode-se ganhar dizendo a verdade todo o jogo, trazendo apenas produtos legais, trocando todos os ilegais na primeira fase do jogo e tentando ganhar os bônus distribuídos no final do jogo para os mercadores com a maior quantidade de cada um dos produtos legais. Mas, também, pode-se ganhar levando muito contrabando, mais arriscado, mas também mais valioso. Ou, pode-se utilizar uma mistura das duas, trazendo contrabando quando propício mas também conjuntos de produtos legais para competir pelos bônus.

Sheriff of Nottingham possui um aplicativo, disponível para iOs e Android que permite marcar o tempo das negociações, além de facilitar a contabilização do dinheiro no final do jogo e tocar efeitos sonoros engraçados durante a rodada. Esse jogo foi o primeiro a ser incluído na série The Dice Tower Essencials, ou seja, uma série de jogos considerada essencial para todos os colecionadores de jogos, com base na opinião dos críticos da Dice Tower.

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Ficha Técnica

Título original: Sheriff Of Nottingham

Criador: Sergio Halaban e André Zatz

Tempo Médio: 60 min.

Número de Jogadores: 3 – 5

Lançamento: 2014

Distribuidora: Galápagos

Preço Médio: R$169,90 (14/10/2016) – Compre aqui

Mecânica: 20 exp. Eu sei que negociações estão presentes em vários jogos. Mas o modo como elas são organizadas nesse jogo é extremamente simples e elegante, funcionando perfeitamente. Os jogadores irão naturalmente assumir papéis, improvisar novos sotaques e inventar histórias sobre o porquê de estarem entrando na cidade, tentando convencer o sheriff de forma sutil, ou não. O sheriff tentará ler que está mentindo, mas ao mesmo tempo, buscará receber o maior suborno possível, ganhando sua parte nas futuras vendas também. Um aspecto interessante é que favores futuros não são obrigatórios de serem cumpridos, levando à momentos em que o sheriff deixa o vendedor passar pedindo que o mesmo seja feito com ele na próxima rodada e então, todos os seus produtos são confiscados pelo novo mentiroso sheriff.

Dinâmica: 20 exp. O jogo sobrevive da dinâmica dos jogadores, fator essencial para a fluidez das partidas. Um jogador mais introvertido pode atrapalhar o andamento do jogo, mas mesmo que alguém sinta-se incomodado em mentir para os amigos, ele ainda tem chance de ganhar falando apenas a verdade e tentando descobrir a mentira dos outros.

Sorte/Estratégia: 13 exp. Infelizmente, há grande influência da sorte na hora de receber seus produtos e realizar suas trocas. Em uma compra do baralho, o jogador pode receber 5 galinhas de uma só vez, incentivando-o a entrar no reino com todas, provavelmente fazendo com que o sheriff investigue suas mercadorias e seja obrigado a pagá-lo ainda mais, além de ele manter todos os seus produtos e ter vantagem sobre seus colegas na obtenção do bônus de possuidor de maior quantidade de galinhas. Enquanto isso, outro jogador recebeu um de cada tipo de mercadoria e deve se arriscar mais, podendo perder todos os seus produtos caso seja investigado.

Replay: 17 exp. O jogo não possui elementos que se modificam de partida em partida, mas isto não é importante pois o que caracteriza mais o jogo são as histórias e a interação entre os jogadores, fato que será único em cada novo replay, ainda que dentro do mesmo grupo de jogadores.

Design: 20 exp. A arte do jogo é maravilhosa, com personagens e mercadorias coloridas e cômicas que irão incentivar muitos sorrisos. Além disso, a qualidade dos componentes, principalmente dos envelopes, é muito boa. Ademais, o próprio insert do jogo pode ser utilizado para manter as moedas organizadas e as cartas do baralho separadas dos dois montes para descarte, sendo facilmente removido da caixa e movimentado pela mesa durante a fase das trocas. Em conclusão, design excelente e ótima produção.

 

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