Colonizadores de Catan

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Texto: Juliana Yendo

Score: Gustavo Ferratti, Helder Kazume, Helton Kazume e Juliana Yendo

Prontos para desbravar a ilha de Catan e disputar suas terras e matérias-primas em busca de soberania? Em Colonizadores de Catan, os jogadores disputam recursos para construir estradas, aldeias e cidades, a fim de garantir sua supremacia em relação aos outros colonizadores – apenas um jogador pode alcançar pleno domínio sobre as terras de Catan.

Colonizadores de Catan é um dos clássicos dos board games. Criado em 1995 por Klaus Teuber, foi o primeiro jogo de tabuleiro no estilo alemão a alcançar grande popularidade dentro e fora da Europa. Catan foi traduzido para 30 idiomas e vendeu mais de 22 milhões de cópias mundo afora. Ben ficaria bem desapontado se você recusasse uma partida do jogo com ele.

 

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Ben (Parks and Recreation) em uma jogatina de Catan na sua despedida de solteiro

 

A mecânica do jogo é bem simples e consiste basicamente em coletar recursos, edificar construções e acumular pontos. O objetivo do jogo é ser o grande colonizador da ilha: o primeiro jogador a atingir um total de 10 pontos vence a partida.

O tabuleiro de Catan é composto por 19 hexágonos, que formam o terreno da ilha, e pelas peças de borda, que representam o mar e os portos. Os hexágonos ilustram diferentes tipos de terreno (floresta, pasto, lavoura, colina, montanha e deserto) que são as fontes dos recursos do jogo (madeira, ovelha, lavoura, tijolos e minério). A combinação dos recursos possibilitam a construções de estradas, aldeias ou cidades (ex.: 1 tijolo + 1 madeira + 1 ovelha + 1 trigo = 1 aldeia). Os pontos estão atrelados à construção de aldeias e cidades. Cada aldeia vale um ponto e cada cidade, dois pontos. Há outras duas formas de adquirir pontos: por meio das cartas de desenvolvimento e por meio dos títulos. As cartas de desenvolvimento (1 minério + 1 ovelha + 1 trigo) são cartas que trazem algum benefício ao jogador que as compra – elas devem ser reveladas apenas quando o jogador for usá-las. Dentre esses benefícios, há cartas com pontos de vitória. Os títulos são “prêmios” recebidos pelos jogadores que cumprirem os quesitos de maior cavalaria ou de maior estrada contínua construída. Cada título concede ao jogador 2 pontos e, ao longo da partida, os títulos podem passar de um jogador para outro.

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Há algumas regras simples e importantes para a construção dos elementos no jogo:

  1. As aldeias devem ser construídas nos vértices dos hexágonos, sempre a duas arestas de distância de outra aldeia/cidade;
  2. As aldeias/cidades sempre devem estar ligadas entre si por estradas;
  3. As cidades só podem ser construídas para substituir uma aldeia já existente.

E como os recursos são coletados?

Cada cartela hexagonal de terreno possui um marcador de 2 a 12 (números correspondentes à soma da rolagem de dois dados). Esses marcadores são distribuídos aleatoriamente pelo tabuleiro. A cada turno, os dados são rolados e a soma dos números corresponde ao(s) recurso(s) que serão coletados naquele turno. Assim, todas as aldeias e cidades construídas no vértice do terreno com o marcador correspondente à soma da rolagem dos dados, receberão recursos daquele tipo de terreno. Aldeias sempre ganham 1 recurso e cidade, 2 recursos. Negociações entre os jogadores são possíveis, assim como trocas de recursos pelos portos.

Mas cuidado com o ladrão! Existe uma única cartela de terreno hexagonal que corresponde ao deserto. Esse terreno é improdutivo, portanto não gera nenhum recurso. No início da partida, o ladrão começa nessa cartela. Toda vez que algum jogador tirar a soma 7 nos dados, o ladrão deverá ser movido de lugar para deixar algum terreno improdutivo. Quando isso ocorrer, todos os jogadores com mais de 7 cartas na mão devem descartar metade delas. Além disso, o jogador que mover o ladrão tem direito a roubar um recurso de um dos jogadores prejudicados com o efeito do ladrão. Existem duas formas de remover o ladrão: tirar a soma 7 novamente nos dados ou por meio de uma carta de desenvolvimento (o cavaleiro).

Catan é um jogo bastante divertido, tanto para jogar com a família como com os amigos. Seu replay é incrível, uma vez que o tabuleiro é único a cada partida – temos a flexibilidade de montá-lo de “n” maneiras. O fator sorte/azar pode pesar bastante em algumas partidas, prejudicando um ou mais jogadores. Porém, a estratégia adotada por cada jogador e as negociações entre os participantes deixam o jogo mais interessante e dinâmico. Com certeza, é um board game que deve fazer parte do repertório de qualquer simpatizante da área.


Ficha Técnica

Título original: Die Siedler von Catan/ The Settlers of Catan

Criador: Klaus Teuber

Tempo médio: 75 min.

Número de jogadores: 3 – 4 (até 6 com expansão)

Lançamento: 2011 (Brasil)

Distribuidora: Grow/Devir

Preço médio: R$199,99 (22/10/2016)

Mecânica: 16 exp. As regras em si são fáceis, sem muitas complicações. Mas o fato de terem muitas delas, talvez gere confusão para quem irá jogar pela primeira vez.

Dinâmica: 18 exp. Durante toda a partida, todos os jogadores tem participação, independente de ser seu turno ou não. Com a rolagem dos dados, qualquer um dos jogadores tem a possibilidade de coletar recursos. Além disso, as negociações (e complôs) deixam o jogo mais divertido e dinâmico.

Sorte/Estratégia: 12 exp. Em nosso ponto de vista, este é um ponto um pouco polêmico do jogo. Costumamos jogar sempre usando um tabuleiro bem random: sorteamos as cartas e os marcadores e vamos posicionando sem ver. Às vezes, algumas partidas ficam muito à mercê da sorte e não tanto da estratégia, o que prejudica a participação de um ou outro jogador por não conseguir coletar recursos.

Replay: 20 exp. O replay do jogo é um dos pontos mais fortes. O tabuleiro nunca é o mesmo, assim como a previsibilidade do andamento do jogo e as probabilidades de saírem os recursos. Em uma partida, o tijolo pode ser o recurso mais raro e desejado pelos participantes. Em outra, pode ser que a ovelha seja. Cada partida é única, o que não deixa o jogo enjoativo.

Design: 14 exp. A arte do jogo não é inovadora, nem linda, não “cheira nem fede”. O formato do tabuleiro é bem original e interessante: as peças hexagonais dão uma grande flexibilidade e possibilitam facilmente incorporar expansões no jogo. Uma grande ressalva fica para a edição atual da Grow (da caixa quadrada): a qualidade das cartas, tanto do papel como de impressão, são muito ruins, principalmente se comparada com uma das primeiras versões da Grow (da caixa retangular). Dá para perceber nitidamente a queda de qualidade do material.

 

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