O Rapaz e o Monstro

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Juliana Yendo

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“Segure a espada com seu coração!
Você tem uma espada no coração, não tem?”

Prontos para sorrir, chorar e se emocionar em um mesmo filme? O Rapaz e o Monstro é uma animação criada e dirigida por Mamoru Hosoda, um consagrado diretor e animador japonês. Sem se restringir a um público-alvo específico, o longa-metragem consegue encantar crianças, jovens e adultos, com uma aventura que traz temas profundos em um cenário muito bem construído. O filme foi lançado em julho de 2015 no Japão e, aqui no Brasil, foi disponibilizado no catálogo da Netflix neste mês (18 de outubro).

A história é ambientada em dois cenários distintos: Shibuya (real) e Jutengai (fictício). Shibuya, distrito de Tóquio famoso pelo seu grande cruzamento, é a realidade à qual o protagonista Ren pertence. Jutengai é uma cidade de feras, a mais populosa do mundo. É como se fosse um “universo paralelo” de criaturas não-humanas, que coexiste com o real. Os humanos e as criaturas desse mundo vivem separados, já que a cidade das feras fica escondida entre os becos de Shibuya.

 

shibuya
O famoso cruzamento de Shibuya (imagem do filme)
jutengai
A cidade de Jutengai

 

Ren é um garoto de nove anos que, devido à perda de sua mãe e a problemas familiares, decide fugir e viver sozinho pelas ruas de Shibuya. Em meio a sua solidão e aborrecimentos, Ren é surpreendido por duas criaturas misteriosas encapuzadas e recebe uma proposta inusitada: ser o pupilo de uma delas. Mal suspeita Ren de que seu possível mestre se trata de Kumatetsu, uma criatura com a aparência de um urso e com uma personalidade extremamente difícil. Kumatetsu é um dos possíveis sucessores para assumir o cargo de líder de Jutengai. Porém, apesar de sua incrível força e velocidade nos combates, ele é extremamente grosseiro, arrogante e egoísta – motivos que justificam o fato de não ter nenhum discípulo. Por regra, o sucessor do Senhor das feras deve ser alguém com força e caráter de primeira qualidade. Kumatetsu claramente não cumpre o segundo quesito. Obstinado a encontrar um pupilo e mostrar-se digno do cargo, Kumatetsu cogita fortemente adotar um aprendiz humano, o que é extremamente incomum em seu mundo, pois, para eles, os humanos possuem fraquezas (“trevas no coração”) e não podem habitar o mundo das feras – muito menos tornarem-se discípulos de um possível líder de Jutengai.

 

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Kumatetsu sendo bem amável com seu discípulo Ren (a.k.a. Kyuta)

 

Somos surpreendidos positivamente pelos cenários muito bem desenhados, pelas cenas de combate e pela extrema sensibilidade e profundidade em abordar o tema central da história – o amadurecimento. Li um comentário de um crítico do Los Angeles Times, Charles Solomon, que sintetiza muito bem a obra de Mamoru Hosoda: “Bakemono no Ko é um conto de ortótese de dois indivíduos imperfeitos que encontram o amor e a disciplina que necessitam, para assumir seus verdadeiros lugares em seus respectivos mundos”.

É impossível não se envolver e se emocionar com a história de O Rapaz e o Monstro. Definitivamente, está entre uma das minhas animações preferidas! <3


Ficha Técnica

Título original: Bakemono no Ko

Gênero: Aventura/Fantasia

Lançamento: 2015

Criador/Diretor: Mamoru Hosoda

País de origem: Japão

Duração: 120 min.

Ritmo: 18 exp. A história é bem ambientada nos dois contextos que aborda e a transição entre os mundos é feita de forma coerente e estruturada. O decorrer dos fatos com o passar do tempo também é bem construído.

Personagens: 17 exp. Os personagens principais conquistam facilmente os telespectadores. Porém, não são dados muitos detalhes sobre o passado de ambos, algumas coisas ficam no ar ou sem explicação. Não é nada que comprometa a trama, mas senti falta de alguns esclarecimentos, como detalhes sobre a relação de Ren com seu pai no passado.

Qualidade da plot: 20 exp. O enredo é um dos pontos mais fortes da obra! A abordagem do amadurecimento de Ren e Kumatetsu, assim como de seu relacionamento, é muito bem feita. Do começo ao fim, a história é bem pensada. O desfecho é sensacional, triste e emocionante ao mesmo tempo!

Cuidado com os detalhes: 20 exp. Os cenários e objetos que compõe cada cena são muito bem feitos e detalhados. O estilo do desenho é bonito, assim como a paleta de cores escolhida para representar cada cidade.

Empatia com o telespectador: 20 exp. É um tipo de filme para qualquer faixa etária e gênero, sem restrições. Praticamente impossível não criar empatia pela história, pelos personagens e pela linda arte de Mamoru Hosoda!

 

2 Comments

  • Thiago saburo Inoue

    muito bom esse filme! não é de se espantar todo o hype que levantou no ano de 2015! definitivamente recomendado, ainda mais que agora é possível ver pela netflix!

    • Juliana Yendo

      Valeu pela indicação, Saburo!! Uma das melhores animações que vi! 😀

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